Internacional

Papa promete não interferir em sucessão

Folhapress
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ROMA - O gesto de renunciar ao trono de São Pedro humanizou Bento 16, aos olhos dos católicos que visitavam o Vaticano no dia seguinte ao alemão ter marcado a data e a hora do fim de seu pontificado.

Nos seus sete anos como líder da Igreja, Bento 16 esteve à sombra da popularidade de seu antecessor, João Paulo 2º. As comparações entre os estilos dos dois são comuns até hoje.

A imagem do papa polonês ainda é uma presença dominante em lojas de souvenires. Estampa cartões-postais, camisetas, medalhas e todo tipo de objeto religioso.

Ontem, o movimento de turistas na praça de São Pedro foi normal, segundo guias e policiais. Não havia nem sombra da aglomeração que tomou o local durante os dias que antecederam a morte do polonês, em 2005.

Escolhido papa em abril de 2005, Bento 16 vai renunciar ao pontificado no final de fevereiro, informou o Vaticano. "João Paulo 2º se aproximava mais do ser humano, mas admiro muito a força dele [Bento 16] por deixar que outro assuma pelo bem da Igreja.", disse a arquiteta Ivane Giacometti, 51, de Estrela Velha (RS).

A enfermeira aposentada Terezinha de Souza Pereira, 65, diz que demorou para gostar de Bento 16: "No começo, eu não gostei dele, não, mas ele foi mudando, parece que foi ganhando jogo de cintura".

O embaixador do Brasil junto à Santa Sé, Almir de Sá Barbuda, diz que Bento 16 conquistou simpatia ao enfrentar a crise da pedofilia na Igreja, encontrar-se com vítimas de abusos, pedir perdão e até chorar com elas. Ele diz que o papa é um homem tímido, retraído e muito cerebral. Quando recebe alguém na Santa Sé, costuma olhar nos olhos do interlocutor.

No trato pessoal, diz Barbuda, demonstra afeto ao fazer perguntas pessoais. "Neste momento, ele é um papa muito carismático, mas sem poder comparar com o João Paulo 2º. Ele foi muito sábio porque nunca quis imitar o estilo do antecessor", disse.

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