Bocaina – A diretoria de Saúde de Bocaina (69 quilômetros de Bauru) afirma ter encontrado diversos medicamentos com o prazo de validade vencido em duas caixas armazenadas numa sala na Santa Casa. O produto, conforme a prefeitura, seria destinado ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que ainda não foi implantado no município.
De acordo com o diretor de Relações Institucionais e Comunicação da prefeitura de Bocaina, Plínio Teixeira Junior, entre os medicamentos estariam alguns com data de validade expirada em setembro do ano passado.
O diretor explica que a quantidade e os tipos de remédios só deverão ser divulgados amanhã, quando a diretoria de Saúde deve concluir o relatório sobre o caso. Segundo ele, o jurídico da prefeitura avalia levar o caso ao Ministério Público (MP).
Até ontem à tarde, os medicamentos, além de materiais de uso hospitalar, que, segundo Teixeira Junior, também seriam destinados ao Samu, permaneciam armazenados na Santa Casa aguardando destinação por parte do município.
O diretor revela que a atual administração não tem interesse em integrar o Samu Regional de Jaú. “Para cidade do porte da nossa, o prefeito entende que o Samu não é uma coisa compensadora pelo valor que a prefeitura tem de repassar”, diz.
“No entendimento do prefeito, que inclusive é medico, o Samu nada mais é do que uma ambulância bem equipada. A intenção é devolver o Samu, estamos vendo qual a forma correta e legal de fazer isso, e equipar uma ambulância”.
De acordo com Teixeira Junior, os funcionários aprovados em concurso público foram capacitados pelo Samu e chamados para integrar o quadro da prefeitura. Entre eles estão enfermeiros, técnicos de enfermagem e motoristas.
“A prefeitura vai disponibilizar uma ambulância equipada com tudo o que tem a ambulância do Samu e eles vão trabalhar exatamente como socorristas”, explica. A Unidade de Suporte Básico (USBs) entregue à cidade será devolvida à União.
Ex-prefeito lança dúvidas sobre origem de medicamentos
Procurado pelo JC, o ex-prefeito de Bocaina João Francisco Bertoncello Danieletto (PV) confirmou ter adquirido durante o seu governo alguns medicamentos para o Samu. “Nós compramos uma dosagem pequena, que era justamente para que a regionalização do Samu, que era em Jaú, pudesse verificar a aptidão de início do Samu (em Bocaina) ou não”, revela.
Contudo, ele declarou não ter como afirmar com certeza se os medicamentos vencidos encontrados na Santa Casa foram os mesmos adquiridos durante sua gestão.
“Existe a possibilidade de esses produtos não serem os produtos que estavam no Samu. Eu não posso dizer agora. Como não era local de cuidado da prefeitura, fica duvidoso até que esses produtos tenham sido adquiridos pela prefeitura”, afirma.
Segundo Danieletto, ontem, funcionárias da saúde apresentaram “uma caixinha de papelão de um palmo de comprimento com meia dúzia de medicamentos” com prazo de validade vencido, considerados por ele básicos.
O ex-prefeito explica que a implantação do Samu em Bocaina custaria por mês em torno de R$ 23 mil – 12,5 mil repassados pelo governo federal e R$ 10,5 mil pela prefeitura. “R$ 11 mil, hoje, é o custo de uma semana de um plantonista”, diz.
Segundo ele, uniformes foram comprados e área da Santa Casa reformada para abrigar a base do Samu. Ele lamenta a não implantação do serviço na cidade e alega que isso não ocorreu durante a sua gestão por “problemas de logística” e atraso na liberação do sistema via rádio para o 192.