O vereador Markinho da Diversidade (PMDB) levantou suspeitas sobre promessa de tratamento e ‘cura’ para homossexualidade por parte do Esquadrão da Vida, que recebe recursos públicos para internar dependentes químicos. O assunto foi levantado pelo parlamentar na sessão legislativa de ontem, durante votação de convênio entre a prefeitura de Bauru e a entidade.
Militante da causa LGBT, o parlamentar afirmou que, durante trabalho realizado pela Secretaria do Bem-Estar Social (Sebes) junto a pessoas que vivem na região Central da cidade, antes mesmo de assumir seu mandato, ouviu relatos com essas denúncias.
“Um rapaz contou que foi internada lá, mas não conseguiu ficar. O Esquadrão da Vida teria prometido à família a cura não somente do vício, mas também da homossexualidade. Não posso afirmar isso, mas vou verificar. Se realmente acontece, é um crime. Isso é proibido, principalmente pelo fato de a entidade receber dinheiro público”, pontuou.
Fundador e secretário executivo do Esquadrão da Vida, Edmundo Muniz Chaves nega promessa de cura. “Na maioria das vezes, as famílias têm a esperança de que o filho largue essa opção, mas isso não parte da gente”, respondeu.
Ele admite, porém, que muitos homossexuais não conseguem se adaptar ao convívio junto de outros homens. “Os quartos são coletivos. É a mesma coisa que internar um homem em uma clínica para mulheres. O que acontece, de fato, é que deixamos bem claro de que o sexo é proibido na comunidade”, afirmou.
Segundo Edmundo, a entidade também procura “não expor essas pessoas”. “Isso pode fazer com que alguns pensem que estão sendo preteridos. Mas já houve casos de homossexuais que concluíram o tratamento e vieram dizer que continuavam com essa opção. A gente não discrimina”, observou.
Ciência?
Edmundo afirma que a entidade trata a homossexualidade como “opção”. “Isso é científico. Existe um gene masculino e um gene feminino. Não existe gene mais ou menos. Se descobrirem o contrário mais para frente, vamos falar de outra forma”.
Tentado embasar sua colocação, o fundador do Esquadrão da Vida lembra que, há 41 anos, no início da entidade, a dependência química era tratada como desvio de personalidade. “Só mais tarde ela foi tratada como doença”.
A homossexualidade deixou de ser considerada uma doença pela Organização Mundial de Saúde (OMS) desde 1990.
“A homossexualidade é uma condição. Ninguém optaria pelo mais difícil. Vou agendar uma audiência com os dirigentes da entidade e conversar com homossexuais que eventualmente estejam internados lá”, rebateu Markinho, que é gay assumido.
Ou religião?
Edmundo Muniz Chaves confirma que o Esquadrão da Vida é dirigido por evangélicos, mas nega que o tratamento a dependentes químicos seja embasado em uma doutrina religiosa.
Ele afirma que há a realização de cultos evangélicos na comunidade, mas que nenhum dos internos é obrigado a ir. “Outras entidades, como a Bom Pastor e o Albergue Noturno, também são dirigidas por pessoas ligadas a outras religiões”, comentou Chavez.