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Celulares, polêmica que divide professores e alunos

Joaquim Eliseo Mendes
| Tempo de leitura: 4 min

Devido à relevância deste fato - uso crescente de celulares em salas de aulas - que vem ocorrendo nas escolas, tanto públicas como particulares, e que infelizmente tem causado uma série de problemas entre professores, alunos, administração e pais, o JC publicou em edição recente ampla matéria sobre o mesmo e internamente sob o título "Celular é ?dilema? da volta às aulas". O uso descontrolado e crescente dos celulares em salas de convivência e de aulas ocorre a partir dos primeiros anos do ensino fundamental, até o ensino médio, onde toma proporções inadequadas, conflitantes e prejudiciais às pessoas e ao ensino que, comprovadamente apresenta o que não é surpresa, um baixo nível de qualidade.

Ouvindo-se as partes tem-se uma polêmica entre escola, professores, pais, alunos e outros opinantes. Há pais que afirmam que o uso do celular pelo filho é bom e necessário pois é um meio de controlar sua presença e locomoção. Eles têm toda razão. Por sua vez o aluno, aquele que "liga" para os pais, sente-se mais seguro por saber do acompanhamento e a presença embora distante dos mesmos e, além de tudo, usufruir de uma tecnologia de ponta que lhe é oferecida pela modernidade e a cada vez mais se aperfeiçoa.

Também tem razão. E os opinantes, muito embora não sejam professores e nem tenham filhos na escola, mantém seus pontos de vista. Enfim, dificilmente se chegará a um consenso. Um fato é incontestável e verdadeiro, a net chegou e faz parte da escola atual em todos os níveis, assim como da vida do homem atual, globalizado, sendo-lhe importante e necessário porém, nunca perder a sua posição liderante de homem; é ele que controla e deve se servir do aparelho digital e nunca ao contrário, o aparelho, do homem. Em nenhuma hipótese poderá tornar-se obsedado e dependente. A escola tem que se servir do que há de mais atual no campo da net ou digital para descobrir e se servir do conhecimento humano em todos os campos para o bem estar e felicidade do homem.

Estatisticamente sabe-se que hoje em dia há mais de um aparelho celular por habitante, incluindo o aluno. No entanto, ao mesmo tempo que a escola deva oferecer o que existe de mais atual e acompanhar a evolução tecnológica ela deve estabelecer normas ou regras disciplinadoras, pois a vida do homem em sociedade assim o exige, O homem não pode fazer tudo o que pensa e quer, portanto a utilização de tablets, lap top em sala de aula deve ser no momento certo e sob a orientação do professor, preparado para tal fim. Lei estadual de 2007 proíbe a utilização de celular na escola, porém interpreto e entendo que a intenção do legislador e do Governo não é vedar a entrada do aparelho com o aluno na escola, mas sim, coibir o seu uso abusivo e indevido atrapalhando os trabalhos em classe e ocasionando até casos de violência entre professor e aluno. Que o seu uso seja disciplinado para determinadas pesquisas e assuntos em determinados momentos e não livre para envio de torpedos e do facebook. A escola tem que disciplinar o aluno, pois na vida tudo exige disciplina muito embora e infelizmente, muitos não entendem essa necessidade que a sociedade, através das leis e dos Poderes determina e estabelece. Imaginemos, haverá empresário, empregador ou chefe que permita que seus funcionários na hora de trabalho se liguem a facebooks e enviem torpedos?

Portanto, seguir a lei à risca impedindo a entrada e uso de celulares na escola será muito problemático com evidentes desacatos, desobediências, reincidências e mesmo violência física. Entendo que, sem tergiversar da Lei a disciplinação do seu uso e de outros aparelhos que certamente surgirão a cada momento, estará na elaboração de um "Código de Conduta" a ser elaborado e firmado entre os professores, alunos, pais, administração da escola e amplamente divulgado na própria comunidade escolar. Utopia, poderá algum leitor pensar. Não é, pois uma escola estadual de Bauru, há 20 anos, tendo em vista graves problemas da época que ocorriam na mesma, elaborou e adotou um Código de Conduta com muito sucesso, publicado em um dos meus livros e que sempre foi alvo de minha admiração! Refiro-me à "EE Prof. Joaquim de Michelli", à qual, mesmo 20 anos depois, reitero os meu cumprimentos e admiração.

O autor, professor Joaquim Eliseo Mendes, é membro efetivo da ABL

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