Geral

Leishmaniose faz 1ª morte em Bauru

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

A Secretaria Municipal de Saúde confirmou, ontem, a primeira morte por Leishmaniose Visceral Americana (LVA) em Bauru, em 2013. A vítima, João Ravanelli, 76 anos, faleceu no último dia 2, durante tratamento no Hospital Estadual (HE).

Além dele, uma adolescente de 12 anos, moradora da Vila Santa Luzia, também contraiu a doença, mas foi tratada com sucesso na mesma unidade hospitalar. Parentes de Ravanelli foram procurados pela reportagem, mas não quiseram comentar o ocorrido.

Esses foram os dois primeiros casos de LVA neste ano, em Bauru. Em 2012, foram 35 notificações, com três mortes. Nos últimos dez anos, Bauru foi a cidade com maior incidência da doença em todo o Estado.

Segundo dados da Vigilância Epidemiológica, entre 2003 e 2012, foram registrados 430 casos, com 37 mortes. Já o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde, contabilizou 416 casos, com 36 óbitos. A diferença ocorre porque cada órgão utiliza uma referência para realizar a contagem – o município, por exemplo, se baseia na data em que os primeiros sintomas do paciente foram detectados.

Mas, em qualquer um dos levantamentos, a cidade está bem à frente no número de vítimas. Em segundo lugar, está Araçatuba, com 253 notificações e 23 mortes. No entanto, o município conseguiu reduzir sensivelmente a incidência de LVA nos últimos anos, o que não ocorreu em relação a Bauru.

Em terceiro, aparece Birigui, com 164 casos e 16 óbitos em dez anos. Procurados, a diretora do Departamento de Saúde Coletiva de Bauru, Heloísa Lombardi, e o secretário municipal de Saúde, Fernando Monti, que está licenciado, não atenderam as ligações feitas pela reportagem para explicar o motivo de números tão elevados.


Falta de higiene

O que já está comprovado é que a alta incidência de LVA, assim como a dengue, está associada à falta de higiene e manutenção de terrenos baldios, áreas verdes e quintais. O mosquito-palha, transmissor da doença, vive nas proximidades das residências, preferencialmente em lugares úmidos, à sombra e com acúmulo de material orgânico.

E lixo, entulho e mato estão presentes até mesmo na região central da cidade, conforme denuncia o mecânico Benedito Ribeiro, 47 anos, dono de uma oficina localizada na rua Pascoal Luciano. “No terreno em frente e na calçada ao lado (na rua Doutor Enéas de Carvalho Aguiar), tem de tudo, até sofá. E mosquito para todo lado. Moradores e gente de fora vêm despejar entulho há meses e ninguém faz nada. Falta consciência da população e ação da prefeitura”, reclama.

Entre os cuidados a serem tomados para evitar a proliferação do mosquito-palha estão a eliminação diária das fezes acumuladas dos animais, recolhimento de toda matéria orgânica em decomposição no solo e poda de árvores frutíferas de grandes copas, para evitar que a sombra favoreça a umidade do solo. É recomendada ainda a instalação de telas nas janelas, embalar sempre o lixo e cuidar da saúde dos cães, que podem se transformar em reservatório doméstico do parasita.

 

 

Comentários

Comentários