Após um conturbado processo eleitoral no Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Coletivo de Bauru (Sindtran), um grupo de trabalhadores, encabeçado por oposicionistas da diretoria reeleita da entidade, está revoltado com a demissão de um motorista, na manhã de ontem. Por conta do fato, os circulares devem rodar com os faróis acesos nesta sexta-feira. Há ainda ameaça de paralisação de duas horas hoje caso a empresa Sem Limites não reverta o desligamento do funcionário.
Vice-presidente do Sindtran que concorreu à presidência da entidade pela derrotada chapa 2, Valter Dutra entende que o fato foi motivado por retaliação da empresa às mobilizações do ano passado, que culminaram na paralisação dos coletivos às vésperas das eleições municipais. “Tinha sido acordado que ninguém seria mandado embora”, afirmou.
O sindicalista teme que essa seja a primeira de uma onda de demissões e sugere que a atual diretoria do Sindtran pode ter atuado em conluio com as empresas. “Não tenho como afirmar, mas soube que houve até uma reunião”.
Pedro Miguel de Camargo Júnior, de 46 anos, trabalhava na Sem Limites há cinco anos e quatro meses. O motorista participou das mobilizações no final de 2012 e foi membro da chapa 2 na eleição do Sindtran.
Ele alega não ter motivos para ter sido demitido. “Disseram que não estavam satisfeito comigo e que eu não estava satisfeito com a empresa”, afirmou.
Pedro relata ainda que faltou ao trabalho na última segunda-feira. “Perdi a hora e não tinha por que apresentar atestado médico. Mas isso não dá motivo para me demitirem”, argumentou.
Outro lado
A assessoria de imprensa da Associação das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Bauru (Transurb), que representa as três empresas concessionárias do serviço, confirmou a demissão, que teria sido motivada pela “falta de adequação ao quadro de funcionários”.
O órgão informou ainda que todos os direitos trabalhistas foram pagos a Pedro Miguel e que não vê motivos para mobilizações ou paralisações dos circulares.
Já a assessoria do Sindtran alegou desconhecer a demissão, mas chamou a situação de caso isolado. Segundo o órgão, a empresa tem esse direito e funcionários que deixarem de trabalhar deverão responder por seus atos.
Candidato derrotado à presidência do Sindtran, Valter Dutra declarou ontem que acredita na existência de fraude na contagem dos votos. Segundo ele, fica difícil acreditar na vitória da chapa 1 com mais de 60% dos votos. “Vamos recolher assinaturas para contestar o resultado”.