Com espanto, vi no Jornal da Cidade que um vereador da cidade está com suspeita de uma das mais importantes instituições da cidade de Bauru. A suspeita de "cura gay" por parte do Esquadrão da Vida. Será que o distinto vereador agora é investigador? Qual a função do vereador de fato? Respeito não implica em calar-se diante da opinião dos outros. Nunca ouvi que o Esquadrão da Vida fizesse "tratamento gay". Essa casa que há anos se levanta contra um câncer que toma a sociedade - que é o problema das drogas - e que já tratou de inúmeras pessoas vai ser investigada por causa de "suspeitas"? Sinceramente, vejo nisso uma perseguição, principalmente contra aqueles que pregam a Palavra de Deus, que visam ajudar as pessoas a caminharem segundo os propósitos do Criador e não da cultura que nos cerca. Sim, de fato, não aceitamos a homossexualidade, pois cremos que Deus fez dois gêneros: masculino e feminino. Quando defendemos os princípios bíblicos, declarando que não aceitamos o homossexualismo, logo somos acusados de "homofobia", religiosos que condenam pessoas ao inferno por causa de sua "suposta" opção sexual. Não faltam "doutores" para dizer que a Bíblia não fala contra, que Jesus pregava o amor, e coisas assim. Mas, diferente do que muitos pensam, o homossexualismo é pecado sim e desagrada a Deus. A Igreja é contra o homossexualismo, não contra o homossexual. Ninguém em sã consciência deve tratar mal um homossexual, mas deve ajudá-lo segundo as Escrituras, pois Deus fez homem e mulher, estabelecendo um parâmetro familiar entre macho e fêmea, não entre pessoas do mesmo sexo (Gênesis 2:24).
Será que agora seremos condenados por pregar a plena restauração das pessoas? Cremos que Cristo transforma vidas e que as tira da cegueira e do pecado, transformando suas vidas, pensamentos e atitudes. Cremos firmemente que a Bíblia é clara em todos os aspectos sobre essa temática. Não apenas contra isso, mas contra toda e qualquer perversão sexual ou atitude que denigra o ser humano. É contra o adultério, a pedofilia, a prostituição, a libertinagem, enfim, contra toda e qualquer atitude sexual ilícita, e neste aspecto a Bíblia enquadra a homossexualidade. A Bíblia declara: "Não se deite com um homem como quem deita com uma mulher; é repugnante" (Levítico 18:22; cf. 20:13). Deitar aqui no hebraico (mishkav) significa "copular, um lugar onde se dorme e geralmente de conotação sexual entre homem e mulher".
Além disso, o Novo Testamento reafirma a posição do Antigo Testamento: "Vocês não sabem que os perversos não herdarão o Reino de Deus? Não se deixem enganar: nem imorais, nem idólatras, nem adúlteros, nem efeminados nem sodomitas... herdarão o Reino de Deus" (1Coríntios 6:9,10). O apóstolo usa dois termos, malakoi que significa "luxúria ou perversão homossexual" e arsenokoitai que significa "perversão sexual masculina". Paulo não usaria estes termos sem propósito. E escrevendo aos Romanos declarou: "Por causa disso Deus os entregou a paixões vergonhosas. Até suas mulheres trocaram as relações sexuais naturais por outras, contrárias à natureza. Da mesma forma, os homens também abandonaram as relações naturais com as mulheres e se inflamaram de paixão uns pelos outros. Começaram a cometer atos indecentes, homens com homens, e receberam em si mesmos o castigo merecido pela sua perversão" (Romanos 1:26,27).
No grego fica claro que, tanto homens como mulheres trocaram a verdade de Deus pela "verdade" humana, e por isso, tanto homens como mulheres, deixaram as práticas naturais (no grego, physikós, ou seja, de acordo com a natureza) e se inflamaram em paixões vergonhosas, ou como está no original grego, eksekauthêsan en tê oreksei autôn, isto é, "inflamaram-se a si mesmo na paixão sensual".
Concluímos que a posição cristã e da Igreja não tem nada a ver com tradução bíblica, ou como muitos afirmam, desinformação ou intolerância. Se alguém quiser o caminho da homossexualidade terá que ter consciência que a Bíblia jamais o apoiará. Que a fé cristã edificada na Sagrada Escritura, é a nossa única regra de fé e prática, jamais aceitará esta posição. Se os outros querem respeito, nós também queremos, até porque, para convivermos numa sociedade democraticamente estabelecida, não precisamos ser unânimes. Porque, ser contra ideias é diferente de ser contra pessoas.
O autor, Gilson Souto Maior Junior, é pastor sênior da Igreja Batista do Estoril, Graduado em Teologia, Professor de Antigo Testamento e Teologia, cursando pedagogia na Unesp