O que era para ser mais uma corrida de rotina para Waldemar Martins de Azevedo terminou em tentativa de latrocínio (roubo seguido de morte) ontem. O taxista, de 72 anos, foi atacado nas proximidades do Centro de Progressão Penitenciária 3 (CPP3, antigo IPA) e tomou, pelo menos, três facadas. Até o fechamento desta edição, a vítima estava em estado grave.
O crime ocorreu no fim da manhã de ontem na rua Iracema de Cândida Posca, que fica ao lado do Cemitério dos Lírios. As investigações apontam que Waldemar, cujo ponto de táxi funciona na rua Padre Anchieta, no Jardim Bela Vista, fazia uma corrida quando o falso passageiro anunciou o assalto.
“Não sabemos se ele recebeu uma chamada pelo telefone ou se foi parado na rua. Porém, o taxímetro estava ligado, o que reforça a tese de que ele foi atacado durante o percurso por uma pessoa que se passava por um passageiro”, revela o titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), Kleber Granja.
Luta corporal
Outro indício encontrado no táxi, um Fiat/Idea, é de que houve luta corporal entre a vítima e o ladrão, o que aponta para uma provável reação do taxista. “Havia vários pontos de sangue no teto e na porta”.
No local, foi encontrada ainda uma espécie de cassetete, que, provavelmente, foi utilizado por Waldemar de Azevedo para se defender.
Durante a luta, entretanto, a vítima levou vários golpes de faca pelo corpo. Foram, ao menos, três lesões na região do tórax e no braço.
Estado grave
Ele foi socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhado ao Pronto-Socorro Central (PSC). Ainda na tarde de ontem, Waldemar foi removido para o centro cirúrgico do Hospital de Base (HB). Uma das facadas atingiu o seu pulmão.
De acordo com a assessoria de comunicação do município, a vítima passou por cirurgia, porém, até o fechamento desta edição, seu estado era considerado grave.
Investigações
Algumas testemunhas conseguiram visualizar o ladrão. As características dele foram passadas aos policiais. Algumas buscas foram realizadas na região, entretanto, nenhum suspeito foi localizado.
O delegado Kleber Granja afirmou, na tarde de ontem, que as investigações já estavam bastante adiantadas. “Já estamos próximos de um suspeito, porém, não posso dar detalhes justamente para não atrapalhar o trabalho”.
O delegado apontou que o celular e a carteira de Waldemar de Azevedo não foram levados pelo bandido. Além dos objetos pessoais dele, foram localizados ainda dois óculos na cena do crime.
O caso foi registrado como tentativa de latrocínio e as investigações continuam sob responsabilidade da DIG.
Em um outro assalto, taxista já havia reagido
A reação que terminou mal na manhã de ontem não foi a única de Waldemar Martins de Azevedo. Em outro assalto, o taxista já havia lutado contra o criminoso. Os próprios familiares da vítima relataram o caso à Polícia Civil.
“Segundo a família, há algum tempo, o Waldemar tinha sido assaltado. Na ocasião, ele reagiu e conseguiu fugir do ladrão. Esse comportamento dele era até uma preocupação da família”, conta Kleber Granja. O fato fortalece a tese de tentativa de latrocínio.
A polícia alerta que as vítimas nunca devem reagir, mesmo que saibam se defender ou achem que as armas utilizadas não sejam verdadeiras. A reação só é aconselhada em última instância, ou seja, quando a vítima tiver a certeza que vai ser morta.