Política

Contra buracos, Obras recorre ao DAE

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

Por muitos anos, Bauru conviveu com o estigma de ‘cidade dos buracos’, por conta da grande quantidade desses inconvenientes espalhados pelas ruas. Após algum tempo de ‘trégua’, com forte investimento do governo Rodrigo Agostinho (PMDB) em pavimentação, o problema voltou com tudo. As reclamações não param e a Secretaria Municipal de Obras precisou recorrer ao Departamento de Água e Esgoto (DAE) para formar um mutirão de tapa-buracos.

Os trabalhos começaram na última quinta-feira e envolvem nove caminhões, sendo cinco da prefeitura e quatro da autarquia. A ‘parceria’ é inédita, segundo o secretário Sidnei Rodrigues, e indica o quão preocupante está a situação. “Isso nunca aconteceu. Normalmente é a secretaria que ajuda o DAE”, pontuou.

A justificativa para a iniciativa se dá pelo aumento da incidência de buracos em razão do período de chuvas. A ideia é aproveitar o início do período de estiagem para tapar o maior número deles.

No entanto, Sidnei admite que é comum o aparecimento de novos buracos na época de chuvas, o que indica uma preocupação maior da administração com o cenário deste ano.

O pedido de formação de um mutirão partiu do próprio prefeito e não é à toa. A melhoria nas condições das vias, o recapeamento e a pavimentação de ruas de terra foram pilares importantes do primeiro governo de Rodrigo, e desempenharam papel importante em prol de sua reeleição, em outubro do ano passado.

“A única intenção do prefeito foi agilizar esse processo. Todos os anos, a Secretaria de Obras precisa fazê-lo. Só o modelo que está sendo diferente”, pontuou Rodrigues

Nesta semana foram trabalhadas ruas dos bairros Mary Dota, Nova Esperança, Jardim Godoy, Parque Vista Alegre, Bela Vista, Centro e nas avenidas Lúcio Luciano, Getúlio Vargas, José Vicente Aiello e Nações Unidas.

De acordo com o secretário de Obras, estão sendo priorizadas as avenidas e as linhas de ônibus. Posteriormente, o mutirão em parceria com o DAE seguirá para os bairros.

Rodrigues afirma não ter como precisar por quantos dias a força-tarefa vai se prolongar, mas prevê que a primeira etapa siga até o final da semana que vem.


Agora serve?

Em reportagem publicada no caderno JC nos Bairros, do Jornal da Cidade, no ano passado, a Secretaria de Obras criticava o trabalho de tapa-buracos desempenhado pelo DAE. Além de problemas na execução dos serviços, a autarquia vinha deixando uma grande demanda de asfalto a ser reposto após os consertos de vazamentos.


Mobilidade é prejudicada

Não é difícil encontrar buracos que podem ser chamados de crateras pelas ruas de Bauru. Próxima ao Centro, a quadra 3 da Alfredo Maia tem o tráfego de veículos prejudicado por conta da dificuldade de passagem.

Outros casos são ainda piores e mostram que o problema dos buracos em Bauru vai além dos períodos de chuva. O aposentado Alcides Toneti, 74 anos, perdeu a visão há cerca de cinco anos. Ele mora na quadra 3 da rua Tohiti Sawao e, na frente de sua casa, vários buracos de grandes diâmetro e profundidade estão quase impedindo a entrada de veículos em sua garagem.

Toneti conta que, ainda quando enxergava, de tempos em tempos, buracos se formavam em frente à sua casa, em razão do asfalto antigo, outro grande problema das ruas de Bauru. “Quando eu ainda podia, pagava para colocarem cimento e fechar o buraco. Ainda tem um restinho de concreto que a gente mandava por”.

Depois do incidente, o aposentado não pode se adiantar em relação ao poder público e a situação chegou a um ponto lastimável. “Nunca ficou desse jeito. Todo mundo está reclamando demais. Meu medo é que a gente fique sem conseguir entrar nem sair de casa”.


Duas quadras

Nos dois primeiros dias de mutirão, o volume de massa asfáltica utilizado seria suficiente para recapear duas quadras, de acordo com a assessoria de imprensa da Prefeitura de Bauru. Até agora foram 60 metros cúbicos, que correspondem a 108 toneladas do material. A ação já custou R$ 18 mil aos cofres públicos municipais.

Vale lembrar que o método do tapa-buracos é mais caro e menos eficaz que o recapeamento.

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