Neide Carlos |
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Noroeste e Paschoalotto/Bauru sofrem com a baixa presença de público na temporada |
Em campo e nas quadras, os times de Bauru até vão bem. O Noroeste está no G-8 da Série A-2 do Campeonato Paulista, enquanto o Paschoalotto/Bauru briga pelas primeiras posições do Novo Basquete Brasil (NBB). Mas a boa campanha não é suficiente para atrair o torcedor aos jogos: a média de público das duas principais equipes do esporte bauruense é menor em relação à temporada passada.
O Noroeste não conseguiu levar mais de mil pagantes em nenhum jogo neste ano. Em três partidas disputadas no Estádio Alfredo de Castilho, o melhor público foi modestos 904 pagantes na estreia em casa, diante do Rio Branco. O Alvirrubro ocupa apenas 13ª posição entre os times da Série A-2 em termos de público, levando em consideração as primeiras seis rodadas.
Em 2012, a Maquininha Vermelha levou mais de mil pagantes em nove dos dez jogos da primeira fase, chegando na reta final com a segunda melhor média de público da Série A-2 do ano passado. Na última rodada, o Norusca atuou com o time reserva, e pouco mais de 800 pessoas pagaram para ver a partida, derrubando o time para o quinto lugar no ranking de 2012.
Já o Paschoalotto teve em média um público de 734 torcedores por partida na Panela de Pressão no primeiro turno do Novo Basquete Brasil (NBB) na atual temporada, que começou em novembro. O número é menor do que o da temporada 2011/12, quando em média 867 pessoas assistiam aos jogos no Ginásio da Luso – diga-se de passagem, bem menor do que a Panela de Pressão, atual casa do basquete bauruense. No caso do NBB, é computado o público total, pois além dos pagantes, estão inclusos os convidados e cortesias a patrocinadores. Além disso, em algumas cidades não há cobrança de ingresso. De qualquer forma, Bauru tem apenas o décimo melhor público da Liga.
Em Bauru, os ingressos avulsos mais baratos dos jogos do Noroeste e do Bauru Basquete custam R$ 20,00 (R$ 10,00 a meia-entrada). Os dois clubes admitem que jogar em casa não dá lucro. O custo por jogo do Noroeste gira na casa de R$ 7 mil, entre arbitragem, antidoping e o operacional da partida. Fora de casa, o custo é próximo a este com transporte, hospedagem e alimentação. O basquete não fala em valores, mas diz que a receita obtida no máximo “empata” com as despesas quando atua na Panela, sendo a taxa de arbitragem a maior delas.
Chuva e preço
A direção do Noroeste entende que a chuva – que caiu incessantemente em dois dos três jogos do time em casa – atrapalhou bastante a presença do público, a exemplo do preço mínimo do ingresso, que passou dos R$ 10,00 em 2012 para R$ 20,00 em 2013. O vice-presidente Filipe Rino comenta que o horário dos jogos também foi ruim. “O domingo pela manhã não tem sido bom. Nossa ideia é pedir para que os jogos marcados no domingo passem para o sábado, às 16h”, explica Rino. “Não houve um retorno de público neste horário”, acrescenta.
Calor
Vitor Jacob, diretor do Paschoalotto/Bauru, percebe uma fidelização do público. “Aqui na Panela, mantivemos uma média mais ou menos igual a da Luso, entre 700 e 800 torcedores por jogo. Mas ainda não é o ideal, gostaríamos de chegar a casa de 1.200 de público em jogos de primeira fase”, comenta. “No começo do campeonato tivemos o reflexo das derrotas no Paulista e Jogos Abertos”, pondera.
O dirigente destaca que um dos fatores que mais atrapalham na Panela é o calor. “Muita gente vem e gosta do espetáculo, mas reclama do calor no ginásio. Estamos buscando algumas soluções, mas dependemos da Secretaria de Esportes (Semel). O ginásio é locado, pertence ao Noroeste. Poderia ser colocado um exaustor e sempre deixamos as portas abertas”, pontua Jacob.
Público bom, só em decisão
Pelo menos essa tem sido a tônica para as duas equipes. Nos últimos três anos, públicos superiores a três mil pagantes foram registrados apenas em partidas decisivas da Série A-2 e Copa Paulista e nos dois jogos diante dos “grandes”, no Paulistão de 2011. Em um passado recente, colocar mais de três mil torcedores no Alfredão era comum em jogos do Campeonato Paulista de 2006, 2007 e 2008, mesmo contra times do interior. Foi nesta época que o Noroeste obteve a maior renda de sua história: R$ 413 mil no empate em 1 a 1 com o São Paulo, pelo Paulistão de 2007, quando mais de 16 mil pessoas pagaram ingresso.
No basquete, a dificuldade em colocar mais de mil pessoas na Panela também existe. Na Luso, o tamanho do ginásio era um empecilho, mas agora a diretoria tenta reverter o quadro. Mesmo assim, apenas uma vez o público superou os mil torcedores na primeira fase do NBB, contra o Minas, neste ano. De resto, público grande, só em playoff, como na temporada passada contra Liga Sorocabana e Brasília, os melhores públicos na Panela em NBB até agora.
Sócio- torcedor
Tanto o Noroeste como o Paschoalotto investem em ações para fidelizar o torcedor. No futebol, já existe o plano “Torcedor Fidelidade”, defendido pelo presidente Anis Buzalaf Jr. “O ingresso para quem aderir sai em média a R$ 8,00 na arquibancada, pois são cerca de cinco jogos por mês, e o pacote custa R$ 40,00 por mês, além das vantagens que existem nas lojas conveniadas, o que equilibra quando não tiver jogos, antes da Copa Paulista, por exemplo”, relata Buzalaf. “E os sorteios que estão acontecendo no intervalo só valem para quem tem o ‘Torcedor Fidelidade’, é pelo número do cartão”, explica.
Outra ação que será colocada em prática a partir desta semana é que os torcedores com camisa do Noroeste pagarão meia-entrada nos jogos em casa. “Isso acontece no Comercial de Ribeirão Preto, por exemplo. É uma forma de contornar esse preço mais elevado da FPF neste ano”, diz o vice Filipe Rino.
No Paschoalotto/Bauru, Vitor Jacob salienta que o clube pretende investir no “Torcedor de Vantagens”, lançado no ano passado. “Na reta final do NBB vamos lançar uma segunda etapa do ‘Torcedor de Vantagens’, ainda estamos definindo os moldes, mas será um pacote válido por um ano, ou seja, quem adquirir vai assistir aos jogos do NBB, do Campeonato Paulista e do outro NBB”, cita.
Como o basquete sempre joga em “rodada dupla”, com um jogo na quinta-feira e outro no sábado, o time fez venda casada de ingressos para os dois jogos em várias partidas recentes, com um resultado considerado satisfatório pela diretoria.
Parceria
Noroeste e Paschoalotto/Bauru estudam uma parceria para que as duas agremiações possam ser beneficiadas, uma vez que agora mandam jogos lado a lado. “Queremos fazer algo como o torcedor que foi ao basquete, ao trazer o canhoto no Noroeste ele pagaria meia, e poderia ter o inverso também. Estamos conversando com o Joaquim Figueiredo (presidente do Paschoalotto/Bauru) e com o Vitor Jacob”, explica Filipe Rino. “São públicos diferentes, então um tem que tentar conquistar o público do outro”, disse.
Jacob reitera que existe a ideia de uma aproximação com o Noroeste, mas ainda não foi definido de que maneira seria viabilizada uma parceria entre os clubes.
