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Capina de mato alto é um dos principais anseios do jauense que mobilizou a prefeitura |
As prefeituras da Região de Bauru criam cada vez mais canais de relacionamento para atender os munícipes. Alguns municípios descentralizam a relação disponibilizando aos moradores a Ouvidoria Municipal. O órgão recebe todo tipo de reclamação, desde um buraco na rua, a elogios.
A implementação de Ouvidoria refina uma teia de contatos cidadão-administração pública municipal que já é alimentada por redes sociais - twitter e facebook –, e-mails, telefone e o tête-à-tête entre político e morador. Em municípios como Botucatu, com mais de 127 mil habitantes, conforme a contagem populacional do Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a dinâmica cotidiana nem sempre propicia o corpo a corpo com o prefeito João Cury Neto (PSDB).
O corpo a corpo poderá ser mais efetivo em Piratininga, também administrada por prefeito tucano, Carlos Alessandro de Matos, o Sandro Bola, que tem mais chances no seu dia a dia de atender uma parte significativa entre os aproximadamente 12.072 habitantes da cidade.
As coincidências entre Piratininga e Botucatu param no fato de serem administradas por prefeitos do PSDB. O funcionamento das ouvidorias é bastante distinto.
Em Botucatu, o órgão é estruturado nos mínimos detalhes para que seja cobrado sua ação efetiva. Sandro Bola define que na sua administração, iniciada em 1 de janeiro deste ano, a Ouvidoria irá funcionar, apesar de existir desde a administração passada quando Odail Falqueiro comandou o Executivo de 2009 a 2012.
Agudos
Em cada cidade o político preza muito por sua relação com o morador. Agudos do peemedebista Everton Octaviani herdou do tio Carlão Octaviani o jeito muito próximo de se relacionar com o munícipe agudense. No site da prefeitura – www.agudos.sp.gov.br há o espaço para manifestações “Canal Direto com a Prefeitura”, em que solicitações, sugestões e reclamações caem direto no gabinete aonde duas assessoras encaminham os e-mails para que o prefeito despache soluções para as demandas dos moradores.
De acordo com a assessoria de imprensa da prefeitura de Agudos, Everton mantém seu gabinete aberto às visitas diárias de moradores e também divulga seu celular para que a população ligue direto para o prefeito. O olho no olho é uma característica da relação de grande parte dos prefeitos da região de Bauru. Os prefeitos tucanos Sandro Bola, de Piratininga, e José Eduardo Amantini, de Itapuí, também tucano, fazem do corpo a corpo com a população um instrumento de pratica da cidadania.
Ouvidoria é indicador para Botucatu
Uma das maiores cidades da região instrumentaliza o órgão para agilizar ações reclamadas pela população
A Ouvidoria Municipal de Botucatu (100 quilômetros de Bauru) foi implementada em 2009 no início da gestão do prefeito João Cury Neto, que tomou posse para seu segundo mandato em 1 de janeiro deste ano.
A estrutura disponibiliza atendimento telefônico pelo 0800, fax, cartas e pessoalmente. Já no primeiro ano de Ouvidoria foram registrados mais de 8 mil casos, com índice de resolução acima de 80%. De acordo com o levantamento de 2012, a taxa de satisfação no atendimento foi de 95%. Esses dados referenciam um texto no blog da Ouvidoria – www.ouvidoriabotucatu.blogspot.com.br/ – com data de postagem de 8 de fevereiro deste ano, citando a visita de representantes do município de Casimiro de Abreu (RJ). No depoimento da Ouvidora Municipal de Casimiro de Abreu, Maria Aparecida Otz, o serviço da Prefeitura de Botucatu é referência, tanto em atendimento pela praticidade , quanto pelo número de casos atendidos e índice de resolução de demandas.
“A praticidade de atendimento, tanto pessoal quanto pela Internet, o regimento interno e as informações disponíveis no site nos trouxeram a Botucatu”, explica Otz. “É o modelo mais bem elaborado e completo”, elogia a Ouvidora. Além de Botucatu, a dirigente visitou ouvidorias de municípios de porte maior, como Teresópolis e Macaé, ambas no Estado do Rio de Janeiro.
A cidade de Casimiro de Abreu possui 35 mil habitantes e localiza-se a 150 quilômetros do Rio de Janeiro.
Redes sociais
A Prefeitura de Botucatu ainda mantém relacionamento via redes sociais twitter e facebook. As solicitações são filtradas e encaminhadas diretamente para as secretarias municipais. O prefeito João Cury Neto também interage com a população por meio de sua página pessoal no facebook.
Descentralizar
Na prática, o atendimento da Ouvidoria Municipal de Botucatu demonstra que a ferramenta descentraliza a demanda com agilidade. O órgão recebe até 5 reclamações de buracos nas ruas diariamente. Os Ouvidores atendem de 3 a 4 casos diários de terreno com mato alto. A mesma reclamação também é feita à Vigilância Ambiental em Saúde de Botucatu.
Vazamentos de água ou esgoto representam 3 reclamações anuais e são direcionadas à Sabesp, concessionária do serviço de água e esgoto. A Ouvidoria repassa a informação via e-mail para a Sabesp.
Limpeza pública lidera pedidos
Em 2011, as secretarias municipais mais acionadas pelo trabalho da Ouvidoria foram, pela ordem de maior reclamações, Obras (setor de limpeza pública), Planejamento (galerias e canaletas de águas pluviais), Saúde (medicamentos e consultas médicas), Transporte (frota e falta de cumprimento de horários) e na quinta colocação Meio Ambiente (coleta seletiva, podas de árvores).
Em 2009, ano da implantação da Ouvidoria Municipal de Botucatu, Obras concentrou a maioria absoluta das solicitações, seguida por Planejamento, DET, Saúde Ambiental e Saúde.
A população reclama por limpeza, podas e extirpação de árvores, galerias de águas pluviais, iluminação pública, redutor de velocidade, placas de sinalização de trânsito, asfalto, perturbação do sossego e invasão de terras públicas.
No ano de 2011 o telefone 0800 recebeu 1.548 chamadas. Houve também atendimentos pessoalmente e por meio do formulário eletrônico, disponível no site da Prefeitura de Botucatu. Ao todo, foram 2.019 ocorrências, com resposta a 1.969, tendo em 31 de dezembro, 50 casos em andamento, com 97 % de resolutividade.
Os registros foram divididos em 1.143 reclamações (56,6%); 749 solicitações (37,1%); 81 sugestões (4%); 33 elogios (1,6%); 9 expressões livres (0,4%); e 4 denúncias (0,2%). (RS)
Mudanças
O botucatuense não reclama somente. As pessoas também se utilizam da Ouvidoria Municipal para sugerir melhorias. Entre as principais mudanças há pedidos para o sistema viário da cidade, itinerários da linha transporte coletivo, sugestões de melhorias e atendimento do Pronto Socorro Municipal.
Uma das sugestões implementadas foi o atendimento no prédio da prefeitura das 8h às 16h30. Anteriormente, o funcionamento parava para o almoço das 10h30 às 13h.
O acolhimento da demanda gerou elogio de munícipes por e-mail, pessoalmente e por telefone. Um dos casos que marca a atuação da Ouvidoria foi o retorno de uma munícipe à Ouvidoria para elogiar a efetividade da interferência do órgão.
A mulher reclamou à Ouvidoria que uma moradia era utilizada por usuários de entorpecentes. A reclamação foi encaminhada para Guarda Civil Municipal (GCM) que intensificou a ronda.
Jaú ataca demandas
A Ouvidoria Municipal da Prefeitura de Jaú (47 quilômetros de Bauru) recebe uma média de 15 reclamações diariamente. Este ano começou com a população solicitando serviços principalmente de corte de mato alto, limpeza de terrenos e praças públicas. A resposta da administração foi um mutirão.
Ao todo foram 190 reclamações em janeiro e 109 em fevereiro, até a última quinta-feira. Neste mês a ouvidoria também recebeu 3 sugestões de moradores. A principal demanda em janeiro deste ano foi envolvendo meio ambiente com 123 reclamações. Com a resposta aos pedidos, o mesmo item teve 59 solicitações neste mês. Reclamação de trânsito cresceu neste mês com 6 registros contra somente 4 em janeiro.
No setor da saúde ocorreu o inverso. Foram 6 em janeiro contra 2 registros em fevereiro. Questões que envolvem vigilância sanitária apresentaram 5 solicitações em janeiro e apenas 2 neste mês. Quando a questão é de vazamento de água e esgoto, as reclamações são feitas diretamente ao Serviço de Água e Esgoto do Município de Jaú (Saemja). Janeiro foram 6 registros, contra 3 neste mês.
A Ouvidoria atende pessoalmente, por e-mail e pelo telefone. O serviço da Ouvidoria atua de forma integrada acionando as secretarias, encaminhando as reclamações e contatando o morador. Em Jaú o munícipe entende a importância do trabalho da Ouvidoria e também se manifesta para agradecer o respaldo do órgão. A Ouvidoria também projeta disponibilizar o serviço nas redes sociais.
Mutirão de limpeza
A cidade de Jaú passa por um momento de início de nova administração com a eleição do petista Rafael Lunardelli Agostini. Uma das ações para aplacar os anseios da população jauense foi a implementação de um mutirão de limpeza iniciado no dia 10 de janeiro e que ainda prossegue neste mês para dar conta da demanda.
A limpeza da Piscina Municipal já foi concluída, com capina de mato, retirada de entulhos e limpeza. No complexo esportivo da Vila Netinho, ações de higienização e capina também foram executadas. O gramado do Campo Municipal foi capinado e o lugar passou por limpeza geral e a caixa de salto recebeu areia. O parquinho do Jardim Santa Helena também foi limpo, além de receber areia e ter seu campo nivelado por tratores. O campo ao lado do kartódromo também ganhou reparos e limpeza. Ações de higienização, podas de árvores, retirada de entulhos também ocorreram no Jardim BNH. O campo do Jardim São José e as imediações do Museu Municipal também foram limpos.
Lençóis Paulista tem linha direta
A Ouvidoria Municipal de Lençóis Paulista (43 quilômetros de Bauru) existe oficialmente mas não legalmente, como no município de Botucatu. Diariamente, uma funcionária recebe 4 reclamações e encaminha as demandas ou para as diretorias ou para a prefeita reeleita Bel Lorenzetti (PSDB).
Conforme a assessoria de imprensa da prefeitura, não há dados sobre o números exato de mensagens recebidas ao longo dos 8 anos de Ouvidoria. Das solicitações, 99% são respondidas e aproximadamente 96% são atendidas, sendo o tempo médio de resposta de 1 ou 2 dias.
As principais solicitações são de mato alto em terrenos particulares, buracos nas ruas, busca de pessoas desaparecidas, débitos com a prefeitura, atendimentos de saúde (PS, PA e UBS), trânsito, segurança pública, concursos públicos, auxílio transporte para estudantes, programas habitacionais, busca de legislações municipais, entre outros. Uma exceção foi o aumento da demanda específica com quando ocorreu uma matança de cães no Conjunto Habitacional Ibaté, em maio do ano passado e durante a enchente de janeiro de 2011.
A Ouvidoria foi criada em 2005 e já passou por avanços. Na sua implantação, o relacionamento era por e-mails. A partir de abril de 2011, foi criado um sistema de gestão da ferramenta de comunicação diretamente no site da prefeitura. O link Fala Cidadão recebe as mensagens que direcionadas aos setores da administração municipal. Algumas vezes os responsáveis entram em contato direto com o munícipe através do telefone.
O período de calor combinado com chuva exige um cuidado excepcional para a proliferação do mosquito transmissor da dengue – Aedes aegypti. Diante do risco à saúde pública Lençóis fez um mutirão com o recolhimento de cerca de 40 toneladas de entulho e materiais inservíveis, segundo estimativa da Vigilância Epidemiológica. O trabalho, com foco no extermínio de criadouros do mosquito Aedes aegypti, deve terminar nesta semana.
Em média, os servidores envolvidos no mutirão têm recolhido dois caminhões de entulho por dia. O peso de cada caminhão gira em torno de 1,5 a 2 toneladas. O número supera outros mutirões e a Vigilância Epidemiológica comemora o fato de a população estar separando materiais que serviriam como criadouro do mosquito para a coleta.
Piratininga tem ‘ouvidor’ de rua
Cidade com pouco mais de 12 mil habitantes está acostumada a corpo a corpo com pessoas influentes na administração
Vereadores, ex-vereadores, políticos sem mandato e políticos com ou sem cargo na prefeitura e na Câmara Municipal atuam como ouvidores dos anseios da população de Piratininga (13 quilômetros de Bauru).
No pequeno município vizinho a Bauru a população mantém uma relação de tête-à-tête com as pessoas diretamente ligadas ao poder de decisão dentro da administração pública. Os encontros passam pelo eixo da rua Doutor José Lisboa Júnior, via de maior movimentação do comércio e serviços no município. A Lisboa Júnior abriga a sede do Fórum da Comarca fica próxima das sedes da Câmara e da prefeitura e ainda cruza com a praça Coronel Cardoso Franco. A via é o ponto de encontro dos moradores com sua representação direta e indireta no Legislativo e na prefeitura.
O primeiro suplente de vereador da coligação PSDB/PMDB José da Graça de Oliveira, o Zé Gordinho comenta que é um dos políticos que atua com uma espécie de “ouvidor” nas ruas e mesmo em sua residência. Atuando como taxista no ponto da praça Coronel Cardoso Franco, conhecida como a do Jardim Central, muito do que acontece em Piratininga, Zé Gordinho sabe. Na semana passada foi procurado por moradores de um sítio que não sabiam que Zé Gordinho não foi reeleito. Independente de ter mandato parlamentar, Zé Gordinho levou para a administração do prefeito tucano, Carlos Alessandro de Matos, o Sandro Bola, a demanda dos moradores da zona rural. Zé Gordinho comenta que vereador de cidade pequena atende em casa, na rua e a qualquer hora. Ele comenta que a maior parte das demandas atualmente é na área da saúde, em que Piratininga acumula o atendimento de moradores do Ouro Verde e Chácara Santa Cecília, bairros de Bauru.
Zé Gordinho tem a experiência de quatro mandatos de vereador consecutivos, atuando na Câmara de 1997 a 2012. Aos 60 anos, ele continua na ativa e trabalha na administração municipal. O prefeito Sandro Bola assumiu em 1 de janeiro e faz planos para dinamizar a Ouvidoria Municipal, que já existe oficialmente porém não efetivamente. “Tem mas não está tendo resolutividade”, define Sandro Bola.
Redes sociais
O prefeito de Itapuí José Eduardo Amantini (PSDB) comenta que prefere ouvir diretamente da população as demandas por serviços e infraestrutura da administração municipal. Ele é adepto do twitter e facebook, rede social que diz se relacionar com 2.300 pessoas. É uma ouvidoria entre aspas, sintetiza o prefeito tucano. Amantini avalia que a implantação da Ouvidoria em Itapuí (44 quilômetros de Bauru) não traria o mesmo impacto obtido nas redes sociais. Além disso, teria que dispor de pessoal concursado ou em cargo de comissão sem a certeza de que receberia a totalidade e a qualidade das solicitações. Eu prefiro ouvir diretamente a população.
Amantini também é adepto do corpo a corpo com a população. Neste Carnaval, foram quatro noites de desfiles de escolas de samba e bloco na avenida Jorge Chamas, via que dá acesso à prainha às margens do Rio Tietê. Ele comenta que a festa organizada de maneira enxuta recepcionou a cada noite 5 mil pessoas. Gente com quem manteve contato e ouviu avaliação dos dois primeiros meses de administração.
