Observando a despreocupação com que muitos condutores de veículos transitam pelas ruas de Bauru, surgiram-me algumas questões que, para elas, até o momento não encontrei respostas. Ei-las: para que servem aqueles espelhos instalados nos veículos automotores, nos automóveis existem dois externos (à esquerda e à direita do veículo) e um interno? Nos veículos de maior porte apenas os externos e nos veículos de duas rodas em ambos os lados do guidão (quando estão em tamanho que permitem visualizar perfeitamente para trás!). Reitero, para que servem se muitos condutores não o usam?
a) Para que serve aquela alavanca instalada no lado esquerdo do volante dos veículos de quatro rodas ou aquele botão no lado esquerdo do guidão dos veículos de duas rodas (motocicletas, motonetas)? Se estes condutores não fazem uso dos mesmos para acionar o indicador luminoso de mudança de direção (vulgo "seta") ou por desídia (preguiça, negligência) ou por que esqueceram para que servem. Mas, apenas para lembrá-los, o uso da "seta" não lhe dá o direito de preferência ao mudar de uma faixa para outra, mas apenas serve para indicar sua intenção e deve ser utilizada em conjunto com o espelho retrovisor.
b) Para que serve o CTB ter municipalizado o trânsito no Brasil, se muitos municípios fogem à responsabilidade de legislar sobre temas de sua competência, deixando os agentes fiscalizadores de trânsito (municipais e estaduais) desamparados quando a infração é enquadrada como municipal?. Por exemplo, em Bauru temos observado a proliferação de bicicletas dotadas de motor (o kit para motorizar a bicicleta comum não é muito caro), algumas vezes conduzidas por menores ou por maiores sem qualquer documento do veículo ou habilitação. E até mesmo as bicicletas elétricas equiparadas aos ciclomotores para o qual é exigida habilitação categoria "A" ou a Autorização para Condução de Ciclomotores (ACC), o registro (de competência municipal) e o licenciamento (de competência estadual). Entretanto, em Bauru, ao que eu saiba até hoje nem mesmo um projeto de lei foi elaborada pelo município sobre o assunto.
c) Para que servem algumas placas com fundo branco e orlas vermelhas e símbolos em cor preta (conhecidas como placas de regulamentação) instaladas em alguns locais de Bauru?. Se muitos condutores de veículo estão pouco se "lixando" com elas. Por exemplo, a placa R-24a (Proibido convergir à esquerda), a placa R-6a (Proibido estacionar), placa R-6c (Proibido parar e estacionar), placa R-1 (Parada obrigatória) dentre outras sinalizações que são ostensivamente desrespeitadas por alguns condutores de veículos.
d) Para que serve o braço esquerdo de muitos motoristas de veículos de 4 rodas? Se não o usam para acionar a alavanca da "seta" ou para sinalizar suas intenções de convergir ou mudar de faixa de trânsito em que está (usando os gestos previstos no CTB)? Creio que serve apenas para ficar segurando o alto da porta para ela não cair ou ficar com o braço pendente para fora do veículo para secar as unhas após ter saído da manicure (não estou falando apenas de mulheres, a maioria é homem, eu acho!)
e) Para que os faróis baixos dos veículos?. Se muitos condutores insistem em transitar com as lanternas de posição acesas, quando não substituem as lâmpadas determinadas em legislação e originais de fábrica por lâmpadas de cor azul que, dependendo da posição em que se encontrar o outro condutor poderá confundi-los com a iluminação noturna. O uso da farol baixo à noite é obrigatório e as lanternas só podem ser utilizadas quando o veículo estiver parado para embarque e desembarque de passageiros ou carga e descarga.
f) Para que servem as sirenes e as lâmpadas vermelhas de emergência estarem acionadas em situação de grave e iminente risco à vida? Se muitos condutores, mesmo com o veículo de emergência estando "colado" na traseira do seu, não saem da frente (cuidado, o veículo de emergência por estar indo socorrer ou socorrendo um ente querido)? Estas são apenas algumas das muitas questões que tenho, que ainda não achei resposta. Basta você que após ler esta carta postar-se ou conduzir seu veículo pelas ruas de Bauru para notar que o que descrevi nas questões acima ocorre e continua ocorrendo.
Paulo Cesar Fellippini