Revolta e indignação definem o semblante de Rodrigo Francisco, 29 anos, no momento em que ele registrava boletim de ocorrência (BO) ontem de manhã, no Plantão da Polícia Civil de Bauru. Sua mãe, Lúcia da Silva Francisco, uma pensionista de 72 anos, está internada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Ipiranga desde a última sexta-feira (15), em estado grave, e não consegue vaga na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em hospitais de Bauru e região.
Lúcia passou mal na manhã de sexta-feira e precisou ser levada às pressas pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) à UPA do Ipiranga, onde deu entrada com insuficiência respiratória e confusão mental. Rodrigo contou à reportagem que a mãe sofre de diabetes, hipertensão e insuficiência cardíaca. “Ela precisa passar por um tratamento cardíaco urgente, mas não conseguimos vaga em nenhum hospital ainda. Em unidades particulares, teríamos de pagar R$ 1.200 por dia, o que é impossível”, lamenta.
Documento
Um documento que solicita vaga em um quarto de hospital, em Bauru, foi expedido pela prefeitura na sexta e a família aguarda uma resposta. O estado de saúde da idosa se agravou anteontem de manhã e ela precisa ser transferida para UTI o quanto antes. “O coração dela está dilatado e não consegue bombear sangue suficiente para todos os órgãos. O rim já não funciona bem”, explica Rodrigo.
A neta de Lúcia, Carina Aparecida Firmino, 25 anos, também acompanhava a elaboração do registro policial na delegacia e disse ao JC que a avó precisa ser transferida com urgência para UTI. “Ela está amarrada à cama porque se debate o tempo todo, querendo se soltar e tentando tirar o aparelho de oxigênio. É triste ver a situação da minha avó”, conta.
Até ontem de manhã, nenhum hospital de Bauru e da região havia oferecido vaga na UTI para a idosa, que continua internada na UPA, onde segundo a neta de Lúcia, não há equipamentos adequados para o caso dela. “Não tem recurso e nem cardiologista para atendê-la. É mais do que um descaso não haver vaga nas UTIs da cidade e da região, chega a ser um crime. Vão esperar ela morrer para tomar providências”, desabafa.
Em nota, a diretoria do Departamento de Urgência e Unidades de Pronto Atendimento informou que a paciente em questão aguarda vaga para UTI desde o dia 16 de fevereiro.
A assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Saúde informou ontem que uma vaga no Hospital de Base de Bauru foi liberada. O pedido para regulação de vaga de UTI foi recebido pela central de vagas estadual anteontem. “A paciente será transferida ao Hospital de Base de Bauru, cabendo ao serviço de saúde de origem providenciar o transporte do paciente até o novo local”, informou.