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Crescem acidentes graves com moto

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

João Rosan

Em 2012, motos provocaram 1.715 acidentes com vítimas e 11 mortes em Bauru

O trânsito “travado” faz de Bauru uma das sedes regionais do Estado com menor índice de acidentes graves. Mas, mesmo assim, o município é responsável por números preocupantes.

Segundo levantamento inédito realizado pela Secretaria de Estado da Saúde, Bauru está entre as regiões paulistas em que a quantidade de internações por acidentes com motocicletas mais aumentou em três anos. Neste período, o volume de vítimas graves que precisaram ser hospitalizadas quase quadruplicou, variação inferior apenas às regiões de Araçatuba e Franca e superior a outras 14 áreas consideradas.

Ao todo, foram 206 internações em 2011, ante 53 em 2008. Os números absolutos do ano retrasado, no entanto, não são tão elevados se comparados a outras regiões, como Araçatuba (439 internações), Marília (567) e São José do Rio Preto (626).

Na avaliação do engenheiro de trânsito Archimedes Raia Júnior, o baixo índice de vítimas a serem hospitalizadas em Bauru é reflexo do tráfego cada vez mais saturado da cidade. “Como não temos um sistema viário de alta capacidade, grandes avenidas para dar fluidez e velocidade ao trânsito, os veículos trafegam devagar”, comenta.

Desta forma, mesmo que “costure” por entre corredores para chegar mais rápido ao seu local de destino, o motociclista, na maioria dos casos, não sofre ferimentos graves quando colide com um automóvel ou é colhido por ele. É o que afirma o diretor do Departamento de Urgência e Emergência (DUE) da Secretaria Municipal de Saúde, Luiz Antônio Bertozo Sabbag.

“Quase sempre, as vítimas chegam ao Pronto-Socorro com escoriações leves ou contusões e recebem alta no mesmo dia. Mas, quando há necessidade de internação, chegam com uma simples fratura ou até em coma, com traumatismo cranioencefálico”, pontua.

De acordo com Raia Júnior, diferentemente de outras cidades de mesmo porte, as principais avenidas de Bauru são antigas e não foram planejadas para receber grande fluxo de veículos, com exceção da Nações Unidas Norte. “Elas já estão em seu limite de capacidade, então as pessoas passam a optar por vias adjacentes, que também são de baixa velocidade”, pontua.


Mentalidade ‘importada’

Mas o que poderia contribuir para a queda nos índices de internações e mortes acaba não surtindo o efeito desejado. Isso porque, de acordo com o especialista, os motociclistas bauruenses já “importaram” da Capital a mentalidade de intolerância, imprudência e agressividade no trânsito.

“Era um comportamento raro há quatro anos. Hoje, a maioria entra em qualquer espaço por entre os carros, em alta velocidade, sempre correndo contra o tempo. Até as discussões entre motociclistas e motoristas já estão se tornando comuns”, analisa.

O risco a que os motociclistas se expõem diariamente também é uma constatação feita pela Polícia Militar (PM) para justificar o volume quatro vezes maior de internações em apenas três anos. Embora a frota de motos tenha crescido 21% neste período – somando quase 50 mil unidades até o final do ano passado -, não é suficiente para explicar toda a extensão do problema.

“Há uma imprudência generalizada. As pessoas não compram motos apenas porque são mais baratas, mas porque facilitam o deslocamento. E, com este pensamento, abortam as práticas de direção defensiva, passando a desrespeitar a sinalização de trânsito e a abusar da velocidade. Até quando o erro é do condutor do automóvel podem sofrer sérias lesões”, pontua o oficial de relações públicas do 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPM-I), capitão Alan Terra.


Internações

Embora Bauru esteja entre as regiões paulistas onde o crescimento no número de internações por acidentes de motocicleta foi maior entre 2008 e 2011, a cidade ainda mantém índices baixos se comparada a outros municípios. No levantamento realizado pela Secretaria de Estado da Saúde, o volume de casos em Bauru só não é menor do que na região de Registro e Barretos, entre 17 áreas consideradas.

Em 2011, a região contabilizou 206 internações de vítimas de acidentes com motos. Em Registro, foram 88 pessoas hospitalizadas e Barretos, 116. Sem considerar a Grande São Paulo, que teve 10.674 pessoas internadas em 2011, figuram entre as campeãs Ribeirão Preto, com 1.472 casos, Campinas, com 1.353, e Sorocaba, com 1.120 internações.

 

Mortes também aumentam

De acordo com dados da Polícia Militar (PM), no ano passado, foram registrados 1.715 acidentes de trânsito em Bauru envolvendo motocicletas e que deixaram pessoas feridas. O número é 7,4% maior do que os 1.630 registros contabilizados em 2011. Naquele ano, dez pessoas morreram.

Em 2012, foram 11 mortes, sendo que dez eram condutores das motos e um estava na garupa. O número corresponde a 44% de todos os 25 óbitos no trânsito registrados no ano passado.


Homens jovens

Segundo o diretor do Departamento de Urgência e Emergência (DUE) da Secretaria Municipal de Saúde, Luiz Antônio Bertozo Sabbag, homens jovens, de até 30 anos de idade, formam o perfil da maioria dos acidentados graves que chegam diariamente às unidades de pronto atendimento de Bauru. “As mulheres são mais cautelosas. Elas não correm tanto e, quando se acidentam, geralmente é porque caíram depois de serem fechadas por um veículo. Os homens se machucam mais porque correm e são lançados da moto a vários metros do local do acidente”, pondera.

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