Internacional

Yoani cobra posição ?enérgica? do Brasil

Folhapress
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São Paulo - A blogueira e ativista cubana Yoani Sánchez cobrou do governo brasileiro um “posicionamento mais enérgico” e “duro” ao abordar o tema de direitos humanos com o governo Raúl Castro.

“Tem faltado dureza ou franqueza na hora de falar do tema de direitos humanos na ilha. Tem havido silêncios demais. Eu recomendaria um posicionamento mais energético. Os povos não esquecem”, disse ela, que participou na manhã de ontem em São Paulo de conversa com jornalistas e leitores do jornal “O Estado de S. Paulo”.


Manifestações

No Brasil desde segunda-feira, em sua primeira viagem internacional em nove anos, Sánchez se transformou num tema de embates entre manifestantes e parlamentares pró e contra o governo comunista de Cuba, provocando protestos e situações de tensão por onde passou.

“É a multiplicação por dez do que eu esperava”, disse a ela sobre a repercussão da visita à Bahia e a Brasília.

Sobre os protestos, a blogueira disse ter se surpreendido com “a virulência e a repetição” das manifestações e criticou os que impediram a exibição do filme “Conexão Cuba- Honduras”. “Impedir as pessoas de falar não é democracia nem pluralidade. É fanatismo”, disse.


Mais protestos

Ontem, a dissidente voltou a ser alvo de protestos ontem, dessa vez em São Paulo, o que resultou na interrupção de uma palestra no auditório da Livraria Cultura, na região central da capital paulista.

Um grupo de aproximadamente 70 militantes de organizações pró-Cuba, que já se manifestavam do lado de fora da livraria, conseguiu ter acesso ao auditório, apesar do rígido controle da entrada. A manifestação irritou os simpatizantes da blogueira presentes no auditório, que reagiram insultando os críticos.

O clima ficou quente. Os mais exaltados quase chegaram às vias de fato.


Diplomacia contesta

Criticada pela blogueira cubana Yoani Sánchez, a diplomacia brasileira não concorda com as acusações de omissão do Brasil em relação à violação dos direitos humanos na ilha dos irmãos Castro. “Não esperem do Brasil um puxão de orelha em Cuba ou em qualquer outro país individualmente. Existem instâncias para que os temas, como os direitos humanos, sejam questionados”, ponderou uma fonte diplomática após lembrar que o Brasil reconhece que houve avanços em Cuba, embora avalie que ainda haja necessidade de progressos . Entre as instâncias que podem cuidar do tema está o Conselho de Direitos Humanos da ONU, que institui a chamada revisão periódica universal, onde o próprio Brasil já foi advertido sobre a necessidade de melhorar o seu sistema prisional e proteger os defensores dos direitos humanos.

Oficialmente, o Palácio do Planalto e o Itamaraty não se pronunciaram sobre as declarações de Yoani Sánchez, que acabou acolhida pela oposição.

A blogueira cubana não pediu audiência à presidente Dilma e o Palácio do Planalto quer ficar longe de toda a polêmica envolvendo sua passagem pelo Brasil.

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