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Hotel Milanez ainda não foi desocupado

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

Lacrado oficialmente há 17 dias pela Defesa Civil de Bauru, o Hotel Milanez, localizado na quadra 2 da avenida Rodrigues Alves, no Centro, ainda não foi completamente desocupado. O homem que se apresenta como administrador do prédio, Hércules Moreno, confirmou que cerca de quatro pessoas ainda habitam o local, que está em estado precário de conservação.

Embora a porta principal esteja vedada com um tapume e com uma faixa afixada com os dizeres “Fechado para Reforma”, há uma porta lateral, estreita, que permite a entrada e saída dos moradores. Roupas estendidas no varal localizado na varanda do segundo andar, na parte de trás do hotel, também demonstram que a movimentação de pessoas não foi interrompida.

Na semana passada, Moreno havia se comprometido a retirar todas as pessoas do local até o meio desta semana, o que ainda não foi cumprido. Ele afirma que aguarda posicionamento da Secretaria do Bem-Estar Social (Sebes), que teria oferecido ajuda para encontrar abrigo para as pessoas que ainda permanecem no prédio.

“Quando o hotel foi lacrado, tinha 20 pessoas aqui. Agora, é o mínimo, que ainda não encontrou lugar para ficar. Não tenho como, simplesmente, jogá-las na rua”, pondera. Entre os moradores está um casal que perdeu, há pouco mais de uma semana, a guarda dos dois filhos, de 14 e 2 anos de idade.

As crianças foram abrigadas e os pais ainda não encontraram um lugar para viver. A presidente do Conselho Tutelar, Adriana Providello, afirma que a perda da guarda não possui relação com o fato de eles estarem morando no Hotel Milanez.

“Houve negligência muito grande em relação aos cuidados básicos com os filhos, como não adesão aos serviços básicos de saúde e assistência e acompanhamento escolar. Demos várias oportunidades de adequação até que esta medida extrema fosse adotada”, frisa.

De acordo com a conselheira, o casal já foi orientado a deixar o local e procurar um lugar seguro para morar. “Os pais ainda podem visitar as crianças no abrigo e ser atendidos pelo serviço de acolhimento, mas precisam aderir às exigências para recuperar a guarda”, frisa.

Ontem à tarde, o Centro de Referência Especializado da Assistência Social para População em Situação de Rua (Creas-Pop) foi contatado pela reportagem, mas informou que só comentaria o caso hoje. A titular da Sebes, Darlene Tendolo, também foi procurada no início da noite de ontem, mas não foi localizada.

 

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