Quando a saúde da criança está em jogo, todo cuidado é pouco. Tudo acontece muito rápido e o que parecia inofensivo, zás, corre o risco de se tornar grave. A criança se machuca de tal modo que precisa (rápido!) de atendimento especializado. Ou toma remédio (na classe, no recreio) sem dar satisfação a quem quer que seja.
Situações clássicas da rotina escolar, que exigem informação prévia sobre como agir para evitar o pior: a saúde infantil muitas vezes é colocada em risco por mau desempenho de professores e pais.
É dever dos pais informar a direção da escola sobre que tipo de medicação o filho está habituado a tomar diariamente. "Os remédios precisam estar acompanhados das receitas médicas, com todos os dados necessários, da dosagem ao horário adequado de tomar", comenta Patricia Bertachini Bissetti, orientadora pedagógica. A regra também vale para o que é prescrito pela homeopatia, acrescenta a especialista.
Professores não devem medicar
O professor, que nada sabe sobre o histórico de saúde dos seus alunos, fica preocupado com o bem-estar deles. Mas atenção: esse professor não deve tomar a iniciativa de dar um remédio, pensando em resolver a queixa da criança.
Ilse Saparovek é enfática sobre o tema. "Trabalhamos há anos com os serviços de uma clínica especializada, que atende todo tipo de situação que envolve os nossos alunos dentro da escola", afirma. "Não damos receita, muito menos tomamos a iniciativa de dar um remédio, sem a autorização dos pais".
Em caso de acidente grave, escola deve chamar responsável
Há uma lei em vigor no município de São Paulo (no. 15.123, de janeiro de 2010) , que promove a capacitação de professores no atendimento de Primeiros Socorros de modo a torná-los capazes de atender a uma emergência (fratura e corte, por exemplo). Na cidade de São Paulo, a lei municipal 13.946, de janeiro de 2005, determina a obrigatoriedade de ter à disposição um desfibrilador cardíaco (para atender parada cardíaca) em recintos com circulação diária de 1500 pessoas (caso da escola, entre outros).
Na prática, porém, a lei é interpretada de outro modo: no caso de ser necessária uma avaliação médica mais acurada, a escola entra em contato com os pais por telefone, avisando sobre o estado de saúde da criança; e só então, com o consentimento familiar, essa criança será conduzida ao hospital ou clínica de preferência
Entretanto, algumas escolas optam em criar parceria com clínicas especializadas em lugar de capacitar os seus funcionários (como recomenda a lei). A equipe médica de Marum David Cury, diretor da Clínica Infantil Santa Isabella, por exemplo, faz o acompanhamento diário dos alunos do Colégio Humboldt há 30 anos.
"E, mesmo se tratando de crianças "sadias", temos a preocupação de falar com o pediatra de confiança da família, no caso da criança aparecer como frequência no ambulatório da escola", revela.
Mas, e se esse tipo de atendimento especial não existe dentro da escola ou nem próximo dela, como agir frente a um acidente mais sério? "Cabe ao professor chamar o Samu ou os bombeiros da localidade - eles estão preparados para atender a todo tipo de emergência", orienta Marum. "Use sempre o bom senso, em vez de agir de modo heroico, tentando resolver tudo sozinho."