Polícia

Adultos não percebem sinais de adolescentes


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É comum que adultos não percebam sinais de jovens e adolescentes com problemas. Muitas vezes sem tempo e repertório para entender pedidos de ajuda, tem ‘gente grande’ que não dá a devida importância ao período em que a infância fica definitivamente para trás. Em muitos casos, essa fase chega a ser banalizada. Quem já não ouviu a expressão ‘aborrecência’ utilizada de forma cômica? 

“Aí, quando acontece a tragédia, a gente assusta”, comenta a professora doutora de psicologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp) Nilma Renildes da Silva. Por trabalhar com esse público, ela ressalta a escassez de programas públicos na área de psicologia e em diversas outras para adolescentes que enfrentam desconforto dessa e de mais naturezas.

Para muitos que deixam a infância, não é fácil lidar com o mundo, agora necessariamente de outra forma. Para piorar, explica Nilma, a sociedade capitalista lhes impõem vários desafios, mas dá lhes um leque muito escasso de opções para contemplá-los. Conclusão: imputam a si mesmos várias frustrações.

Para ela, é preciso fazer muito mais pelos jovens e adolescentes – embora muita gente já trabalhe por eles e não deva carregar culpa por conta da situação. “A sociedade capitalista continua sem políticas públicas específicas para eles, sem pessoas voltadas ao entendimento do quão complicada é essa fase”, diz. A psicóloga defende mais programas culturais, de lazer, esportivos e educacionais.

Nilma também chama atenção para o aumento de casos em que namorados, amantes ou maridos dão cabo da vida da companheira por puro ciúme. “Vivemos numa forma de organização social entre as pessoas, na qual todo conflito tem sua resolução pautada pelo uso da violência. Seja ela psicológica, como humilhação ou o desprezo, por exemplo, ou ainda fatal. Isso é possível porque caminhamos cada vez mais rumo à desumanização das relações sociais. Estou chocada com o desfecho da história de todas essas vidas”, conclui a psicóloga.

Especificamente no caso de anteontem, a tragédia foi registrada em duas ocorrências. Uma como homicídio, em Boracéia, onde aconteceu a morte da adolescente, e a outra como homicídio culposo na direção de veículo automotor, em Pederneiras, cidade onde o acidente ocorreu. 

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