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Sem manejo, árvores viram ameaça

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 5 min

A cada dia, duas árvores, em média, são derrubadas dentro da zona urbana de Bauru. Destas, estima-se que apenas uma precisou ser suprimida por problemas fitossanitários, ou seja, por apresentar doenças que comprometiam sua estrutura. Os demais casos, direta ou indiretamente, estão atrelados à inadequação da espécie ao local em que foi plantada.

São exemplares cujas raízes ameaçam a estrutura subterrânea de imóveis ou a rede de água e esgoto. Há ainda aquelas que foram plantadas muito próximas a casas, guias ou fiação elétrica e, depois de grandes, passaram a apresentar risco de queda ou acidentes.

Neste contexto, a falta de um plano de arborização - que nunca existiu em Bauru - é fator determinante para a derrubada de tantas árvores na cidade, conforme reconhece o secretário municipal do Meio Ambiente, Valcirlei Gonçalves. “No ano passado, retiramos, por exemplo, um eucalipto de 30 metros de altura, no Jardim Redentor. Era uma árvore belíssima, sadia. Mas, cada vez que ventava, os moradores ouviam estalos e ficavam com medo de que caísse. Neste caso, priorizamos o bem estar da população”, comenta Valcirlei.

Somente no ano passado, pelos mais diversos motivos, 753 unidades foram retiradas a pedido de moradores. O número, no entanto, é 32% menor do que o de 2011 e vem caindo ano a ano, segundo destaca o secretário. No ano retrasado, foram 1.109 exemplares suprimidos e, em 2010, 1.178.

“A demanda tem sido menor, porque as árvores com problemas também estão diminuindo por conta do trabalho que temos feito. Além disso, tentamos conscientizar as pessoas de que a retirada só deve ser feita quando há risco iminente”, pontua.

Quando a solicitação é feita pelo morador, a retirada da árvore deve ser custeada por ele por profissionais capacitados, após vistoria e autorização da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma). Quando a necessidade de supressão é identificada em fiscalizações da própria secretaria, a retirada, nos casos mais urgentes, é feita pela pasta em até 30 dias. 


Tipos ideais

Atualmente, a Semma dispõe de dois técnicos para realizar as vistorias e duas equipes com cinco funcionários, cada, para fazer a poda e supressão das espécies, inclusive daquelas que caem com a força dos ventos e da chuva. “Na verdade, toda árvore pode cair, a qualquer momento, principalmente nesta época do ano. Com a água da chuva, uma copa frondosa fica ainda mais pesada e, se está ventando muito, o caule pode não resistir”, explica o secretário, citando que, na semana passada, cinco árvores caíram em um único dia.

Exatamente para evitar o pior, a dona de casa Maria Marisa da Silva, 57 anos, solicitou a retirada de um exemplar de alfeneiro, espécie japonesa que foi tomada por broca e, por conta de podas irregulares, está com a copa desequilibrada. “Essa árvore tem cerca de 30 anos e está toda podre. Além disso, os galhos cresceram para cima do meu telhado. Quero trocar por outra”, comenta ela, que já foi autorizada a fazer a substituição e aguarda a notificação chegar até sua casa.

 

Terror psicológico

Embora em quase todos os casos as árvores sejam suprimidas por estarem comprometidas ou serem uma ameaça ao calçamento e imóveis no entorno, há motivos, no mínimo, incomuns que podem levar à retirada de exemplares. Conforme revela o secretário municipal do Meio Ambiente, Valcirlei Gonçalves, uma espécie plantada em frente a uma casa chegou a ser retirada porque provocava medo no filho da dona do imóvel.

“Ele assistiu ao filme do Harry Potter, em que havia uma árvore assombrada muito semelhante àquela. Desde então, passou a achar que a árvore do filme era a que estava na frente da sua casa”, comenta. Por meio de um laudo psicológico, a mãe conseguiu provar que a qualidade de vida do filho estava sendo prejudicada pela presença do exemplar, que foi suprimido e substituído por outro.

 

Meta é ter uma árvore por lote

No futuro, a meta da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) é para que cada lote da cidade conte com uma árvore na calçada. Para tanto, elaborou um projeto-piloto que está em desenvolvimento nos núcleos habitacionais Gasparini e Índia Vanuíre desde o final do ano passado.

Trata-se do o “Plano de Manejo e Cadastramento da Arborização de Passeios Públicos”, que consiste em levantar a quantidade, o estado e de que espécies são as árvores atualmente plantadas nos dois bairros.

A iniciativa contempla ainda ações para sensibilização e orientação sobre plantio e conservação dos exemplares.

A ideia é, ao longo do tempo, expandir o projeto para outras áreas da cidade. “Os moradores que não tiverem árvore em frente de casa, serão orientados a plantar e cuidar dela”, pontua o diretor do departamento de ações e recursos ambientais da Semma, Paulo André Zwicker Yamamuro. 

 

Mais vulneráveis

De acordo com ele, não há tipos específicos mais vulneráveis à ação da natureza. Mas, entre as espécies mais derrubadas por autorização da Semma estão a canelinha, sibipiruna e o chapéu de sol. Nos dias atuais, a canelinha, por exemplo, já não é mais plantada porque não se adaptou ao ambiente urbano e, em quase 100% dos casos, é atingida por broca, praga que se alimenta de madeira.

Já a sibipiruna, muito utilizada para arborização urbana há 30 anos, também não está entre as mais indicadas por ter folha pequena, que entope com frequência as calhas das casas. Uma árvore que não pode ser mais plantada na zona urbana de Bauru é o ficus, que possui raízes que danificam calçamento estrutura subterrânea de muros, imóveis e rede de água e esgoto.

“O chapéu de sol também não é ideal porque, por ter se adaptado bem, fica muito alto. Entre os mais indicados e usados hoje em dia estão ipês, quaresmeiras, resedás, pata de vaca e oiti”, enumera Valcirlei. 

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