Polícia

Mulher morre queimada em casa

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 4 min

Divulgação

Somente ontem à tarde Inácio Amaral contou às polícias Militar e Civil que matou Janete, sua colega de trabalho

Mais um crime passional resultou em morte na região de Bauru. Desta vez, um homem ateou fogo na amante.

Janete Gomes da Silva, de 33 anos, foi encontrada morta, ontem de madrugada, com o corpo totalmente carbonizado, na casa onde morava, localizada no Parque Val de Palmas. O autor seria o namorado da vítima, o garçom Inácio Santos do Amaral, 29, que confessou o crime horas mais tarde. O acusado é casado com outra mulher, com quem tem três filhos.

A vítima foi encontrada por policiais militares num dos quartos da casa, onde Janete residia sozinha. Mãe de uma filha de 15 anos  e de um garoto de 9 anos, ela mantinha relacionamento com o acusado há pouco mais de um mês. Cozinheira de uma choperia localizada nas proximidades da avenida Nações Unidas, a vítima era colega de trabalho de Inácio.

Conforme registros policiais, confeccionados mediante relatos da filha de Janete e de testemunhas, a vítima, o namorado e uma terceira pessoa, supostamente um travesti, de acordo com a PM, teriam se encontrado no local do crime, horas antes, onde teriam bebido juntos.

Em seguida, após a saída desta terceira pessoa da casa, o próprio acusado alegou, já no plantão permanente da Polícia Civil, que teria estrangulado a vítima com as mãos, batido a cabeça de Janete no banheiro e envolvido a namorada num lençol, no qual ateou fogo. Ele fugiu após o início das chamas.

Vizinhos notaram o fogo e tentaram socorrer Janete, que foi encontrada sem vida, com o corpo totalmente queimado.

Durante a tarde de ontem, policiais militares foram à choperia onde o casal trabalhava e encontraram Inácio. A princípio, detalha a aspirante a oficial Giovana Siqueira, que esteve no  estabelecimento, o garçom, que estava uniformizado para iniciar atendimento aos clientes da choperia, negou. Porém, minutos depois, admitiu a autoria do crime.

Conduzido ao plantão, ele foi apresentado ao delegado Rogério Dantas Monteiro da Silva, que autuou o acusado em flagrante por homicídio qualificado e determinou o recolhimento de Inácio ao Centro de Detenção Provisória (CDP).

Após exame necroscópico no Instituto Médico Legal (IML), a vítima foi velada e seria sepultada hoje, em caixão lacrado, no cemitério do Jardim Redentor.


Drogas

Conforme relatos colhidos pela equipe de investigação da Polícia Civil, o casal, apesar de junto há pouco mais de um mês, vinha discutindo pelo suposto uso excessivo de crack por parte de Inácio.

Vindo de Minas Gerais há um ano e meio, o garçom, que era morador do Jardim Nova Bauru, afirmou ser réu primário, embora a polícia ainda não tivesse confirmado os dados criminais do acusado até o fechamento desta edição. “Ela (a vítima) queria romper o relacionamento porque ele estava usando muito crack”, comentou o delegado plantonista.

No cenário do crime, além de móveis e paredes chamuscadas, foram encontradas garrafas de bebida. O outro indivíduo presente à residência, momentos antes do homicídio, segundo depoimento do acusado à polícia, não teria participação no assassinato.

Segundo o delegado que registrou o caso, Inácio levou essa pessoa embora e, depois, voltou para matar a namorada, que, destaca o policial, não teve chances de defesa. “A vítima foi esganada dormindo”, detalha Rogério Monteiro.


Rastro de sangue

O garçom confessou ter matado Janete aos policiais apenas durante a tarde de ontem. Contudo, as primeiras pistas sobre a autoria de Inácio surgiram ainda pela manhã. Ambos trabalhavam no mesmo local, ele servindo clientes e ela na cozinha.

Policiais militares foram até um bar, localizado no bairro onde morava Janete. Lá, foram encontradas imagens, do circuito interno de vigilância do estabelecimento, em que o garçom aparecia, por algumas vezes, comprando bebida para a suposta festa entre ele, a vítima e uma terceira pessoa, provavelmente um travesti, na casa de Janete.

Pelas imagens, afirma a aspirante oficial PM Giovana Siqueira, o acusado aparentava bastante nervosismo, na última vez em que passou pelo bar. De acordo com a policial, havia marcas de sangue em algumas garrafas deixadas no bar. “Pelas imagens, ele chegou ao bar bastante nervoso”, descreve. “Estranhamos e fomos ao serviço dele”, completa.

De início, o garçom teria tentado dissimular, fingindo não saber do que acontecia. Após confessar, entretanto, não soube detalhar, exatamente, o que o motivou para retornar à residência e cometer o assassinato.

O uso de drogas, acredita o delegado Monteiro, seria o motivador inicial da discussão, que teria eclodido na expulsão de Inácio da residência, por parte da vítima, consequente retorno e assassinato.

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