Em interessante comparação entre os corpos celestes que os astrônomos e físicos denominam de buracos negros, que literalmente engolem toda matéria ao seu redor, e a personalidade humana, o autor Marcos Norabele, em artigo publicado pelo Jornal da Cidade de Bauru, diz que todos temos um lado sombra, mas que pode e deve ser iluminado para podermos lidar com ele.
Realmente, há pessoas que sempre usam óculos escuros. São especialistas e meticulosos em achar defeitos, ver as situações pelo seu ângulo mais pessimista.
O pior é que não raramente conseguem, a exemplo dos chamados buracos negros do espaço, exercer uma extraordinária influência sobre as pessoas que as cercam. Elas literalmente chupam a luz dos outros, impondo sua visão negativa em relação à vida, ao mundo e às relações sociais.
Partindo da proposta cristã e passando por abordagens filosóficas, encontramos argumentos de toda ordem para empreendermos uma verdadeira guerra santa contra a perniciosa tendência de cultuarmos e impormos as trevas que ainda existem em nosso interior.
Ao deter a visão nas piores coisas da vida, o corpo adoece, a alma fica em trevas, afirma Adeilson Salles.
Podemos querer argumento mais convincente do que esse? Pensar negativo faz mal para o corpo, compromete a saúde!
Recebemos um corpo perfeito, uma família e combustível para uma vida inteira, para viabilizar o nosso avanço evolutivo e não para promover o desperdício e o desrespeito a um sério planejamento da vida.
Pensar negativo é abreviar a existência e jogar fora preciosas oportunidades proporcionadas pela natureza.
E o que dizer dos malefícios provocados nas pessoas que nos rodeiam e que são por nós influenciadas? Parafraseando Saint-Exupéry poderíamos afirmar que nos tornamos eternamente responsáveis pelas pessoas que desencaminhamos.
Essa responsabilidade nos remeterá à convivência com criaturas desarvoradas ou à aproximação com cônjuges necessitados de equilíbrio e atenção. Isso só para falarmos do círculo familiar.
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Há um ditado espanhol que diz: Cria cuervos y te sacaran los ojos. (Crie corvos e eles lhe arrancarão os olhos).É o equivalente do provérbio holandês que diz: Wie wind zaait, zal storm oogsten (Quem semeia vento, colhe tempestade).
Quem só vê defeitos e aspectos negativos, elege-os como inseparáveis companheiros. Está criando corvos e semeando tempestades.
Ou ainda, na jocosa expressão de Richard Simonetti: Namorando a doença, o obsidiado acaba casando-se com ela.
Dentro do contexto da Lei de Causa e Efeito seria o mesmo que dizer: Quem causa dificuldade, dificuldades encontrará.
Nessa linha de pensamentos podemos afirmar com segurança: quem cultiva pensamentos negros acaba desperdiçando a própria vida.
Quem exerce perniciosa influência no semelhante e o desencaminha, está plasmando sua futura família. E que família!
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É preciso fazer resplandescer a luz perante nós mesmos e diante dos homens. Se convivemos com algum buraco negro, não será proselitismo tentar encaminhá-lo à luz; será obrigação.
Fazer luz nos outros é fazer luz em si mesmo. É projetar um futuro em moldes de compreensão, tolerância e condescendência.
Fundamental abandonar definitivamente o uso das lentes escuras e contribuir efetivamente para a evolução, nossa e dos outros.
Esse é o caminho mais sensato! A começar em mim, a semeadura de um caminho menos doloroso, com a compaixão de agora.
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Há pessoas que até concordam com a necessidade do otimismo, mas dizem:
? Não vejo graça na vida!
? Sofro muito!
? Não tenho motivos para sorrir!
? Como cultivar o otimismo e a luz?
? Minha vida é difícil e me induz ao negativismo!
? Aonde vou chove!...
A esse grupo, do qual às vezes fazemos parte, que não conseguem libertar-se da escuridão, poderíamos dizer:
? Prossiga!
? Persevere!
? Lute pelo bem, ore, apegue-se a Deus!
? Não perca uma só oportunidade de servir!
? Trabalhe! De tal forma que as nuvens escuras, se aparecerem, sempre o encontrem ocupado. O trabalho ainda é a melhor prece!
Apegando-nos ao bem e ao trabalho, atrairemos enviados do Senhor. Eles trazem proteção e luz. E com essa luz, não há sombra que resista.
O autor, Sidney Francese Fernandes, é escritor e colaborador de Opinião