Altas horas da madrugada. Um som vem se amplificando, uma batida potente de baixos ecoa na noite silenciosa, o carro para, ensurdecedor. Vozes, gritos, risos e interpelações ressoam em meio à música funk e/ou eletrônica. Estamos na rua Ignácio Alexandre Nasralla, próximo à cabeceira do Aeroporto. Pois esse tipo de acontecimento se tornou uma constante naquele bairro desde que uma distribuidora de bebidas veio instalar-se ali.
Vindo de todos os cantos da cidade, os carros desfilam em qualquer horário da noite para abastecer seus motoristas e seus ocupantes de bebidas alcoólicas. Pois não vamos nos enganar, não é refrigerante que os baderneiros barulhentos vêm ali tomar adentrando a madrugada. Já chegam alegres, e saem tomados!
E estamos diante duas infrações severas à Lei. - Primeiro no que diz respeito ao respeito para com os outros: o silêncio.
Já chegando bêbados, os baderneiros noturnos rivalizam em barulheira por meios dos equipamentos de som instalados nos seus carros, cada um querendo reproduzir, ou manter, o ambiente da discoteca que acaba de deixar ou na qual ainda vai voltar, um pouco mais bêbado que saiu.
Essa onda de agressão sonora já é amplamente comentada na imprensa nacional, e já começando a ser considerada como emergencial, chegando à tomada de medidas drásticas como em Aparecida de Goiânia (Góias), no início do mês, ou em Santa Maria (RS), já em 2011. (Aparecida: http://g1.globo.com/fantastico/noticia/2013/02/cidade-de-goias-decreta-tolerancia-zero-som-de-alta-potencia.html Santa Maria: http://www.clicrbs.com.br/dsm/rs/impressa/4,42,3270291,16873)
Só que não em Bauru! Desde o ano passado, e já antes disso, o fato vem sendo objeto de queixas junto à Polícia militar (Base Sul), que veio inúmeras vezes tentar restabelecer a ordem com sucesso temporário. Mas com os órgãos municipais fazendo vista grossa, não há tomada de sanções e as coisas ficam, como é de praxe no Brasil, por isso mesmo.
- Segundo, em se tratando de embriaguez pública, e o que é muito pior, de embriaguez no trânsito. Pois acontece que esses baderneiros estão bêbados! E no meio da rua! Muitos deles no próprio volante!
E o que acontece com isso? ? Nada! (fica por isso mesmo). Só que muito pior do que o cigarro que apenas mata quem o utiliza e prejudica eventualmente os demais, o álcool no trânsito mata em números assustadores, e frequentemente alguns inocentes que passam por aí, tendo por única culpa de estarem no lugar errado na hora errada.
Pois é: a rua é dos beberrões!!
Cadê a tolerância zero contra essa agressão quase constante. O álcool no trânsito é conhecido como um dos sete vilões dos acidentes e a chamada "Lei Seca" permitiu reduzir em 24% as mortes nas rodovias federais durante o Carnaval 2013 com relação ao ano anterior. (Sete vilões: http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2013/02/516519.shtml
Rodovias federais no Carnaval: http://noticias.r7.com/brasil/com-tolerancia-zero-ao-alcool-numero-de-mortes-no-carnaval-em-rodovias-federais-e-o-menor-em-dez-anos-14022013). Mas não em Bauru!
Até quando se fará vista grossa com estabelecimentos reconhecidamente incentivadores de bebedeira noturna e embriaguez pública? Até quando se permitirá que o descaramento de alguns prejudique a paz de muitos? Haveria algum benefício político nisso? Ou será apenas uma prova de incompetência e de pouco caso? Em Bauru, no local informado, a última zoada desse tipo ocorreu na noite passada, noite de sábado 23 de fevereiro de 2013.
Leila Tebet