Internacional

Governo considera diálogo com potências positivo, mas não fechará usina

Folhapress
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O Irã considerou um passo positivo as negociações com as potências mundiais sobre o programa nuclear, que terminaram ontem em Almaty, no Cazaquistão. No entanto, descartou o fechamento da usina de Fordow e o fim do enriquecimento de urânio a 20%.

Teerã se reuniu por dois dias com representantes dos cinco membros do Conselho de Segurança com poder de veto -Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia e China- e a Alemanha. Após a reunião, foram definidas duas datas para a continuidade das negociações.

Os aspectos técnicos serão analisados em 18 de março em Istambul, na Turquia, e uma reunião política foi programada para 5 e 6 de abril também no Cazaquistão. Nos encontros, o Irã tentará defender o caráter pacífico das atividades nucleares, tentando tirar a suspeita do Ocidente de pretensão militar.

O negociador-chefe iraniano, Saeed Jalili, descartou o fechamento da usina de Fordow. Para ele, a planta está sob supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, vinculada à ONU) e não há "nenhuma justificativa" para desativá-la.

Questionado sobre o enriquecimento de urânio a 20%, passo técnico curto para obter uma bomba nuclear, ele se defendeu, dizendo que era necessário para novas pesquisas e que o país tem direito a produzi-lo e foi obrigado a fazê-lo devido às restrições das potências.

No entanto, se mostrou favorável a discutir a questão. "Isso pode ser discutido nas negociações ... em uma visão para construção de confiança."

Jalili lembrou que o Irã chegou a aceitar em 2010 o recebimento de combustível nuclear de outros países pela Turquia, que foi sugerido pelo governo turco e o Brasil. Na época, o acordo foi rejeitado pelas potências que negociavam o programa nuclear.


Reações

Horas depois, a chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, disse esperar uma resposta positiva das propostas apresentadas pelas potências sobre o programa nuclear. Ela expressou sua confiança em que Teerã estude as propostas e avalie as condições técnicas.

Catherine destacou que o Grupo 5-1 "continua mantendo uma postura comum de busca de uma solução diplomática em relação ao programa nuclear iraniano". Segundo a imprensa ocidental, as propostas seriam relaxar as sanções internacionais, em troca de garantias e concessões iranianas na atividade nuclear.

As potências suspeitam que o Irã queira produzir armas nucleares com o programa atômico, o que Teerã nega. A preocupação da comunidade internacional e as poucas informações divulgadas pela República Islâmica levaram à aplicação de sanções pelos Estados Unidos e a União Europeia.

Além dos países ocidentais, Israel suspeita que a intenção do Irã com a suposta bomba é atingir o Estado judaico e faz pressão para que os Estados Unidos os ajudem em uma intervenção para destruir as unidades nucleares iranianas, mas Washington diz preferir o caminho diplomático.

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