Regional

Sindicato é acusado de irregularidades

Da Redação
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Um funcionário do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Calçados de Jaú (47 quilômetros de Bauru) procurou a regional da Central Única dos Trabalhadores (CUT) em Bauru para denunciar supostas irregularidades praticadas pela direção da entidade. Segundo ele, além de não tornar público processo eleitoral recente para escolha da nova diretoria (leia mais abaixo), os representantes estariam utilizando a estrutura do sindicato para interesses particulares e mantendo funcionários “fantasmas”.

José Ferreira é atendente administrativo, mas diz que exerce função equivalente a de assessor no sindicato. “Eu fui um dos fundadores desse sindicato com o objetivo de que a gente tivesse um sindicato transparente, em defesa dos direitos dos trabalhadores”, ressalta. “Mas, com o passar do tempo, as coisas foram mudando e, hoje, o sindicato se tornou um meio de vida para um grupo de quatro pessoas, os trabalhadores não estão mais sendo respeitados, as campanhas salariais estão sendo prejudicadas”.

Ele revela que membros da diretoria tornaram-se empresários e se esqueceram dos interesses dos trabalhadores. “Os companheiros que estão lá, além de funcionários do sindicato, se tornaram empresários do ramo calçadista, de salão de bailes, de construtoras, e acabaram deixando a sua verdadeira função de sindicalista, que é de defender o direito dos trabalhadores”, declara. “Nós temos o sindicato patronal e temos o sindicato dos trabalhadores que, na verdade, representa os patrões. Então, são dois sindicatos patronais”.

No documento protocolado esta semana na CUT, Ferreira denuncia que, para fortalecer uma construtora da qual é proprietária, a presidente do sindicato, Sônia Regina Fernandes, teria colocado a máquina sindical “à disposição da empresa por meio de compras e vendas de terrenos e convênios para a construção de casas destinadas para os calçadistas”. Os fatos, segundo ele, que incluiriam ainda a suposta cobrança indevida de inscrições pelo programa Minha Casa, Minha Vida, já são objetos de investigação.

O funcionário do sindicato também alega que diretores teriam fundado várias empresas com dinheiro do sindicato, entre elas uma farmácia, que inclusive chegou a ficar registrada em seu nome durante quatro anos. “Aí, começaram a pipocar processos um atrás do outro por sonegação de impostos”, afirma. As dívidas, de acordo com ele, atingiram o montante de R$ 40 mil, valor que teria sido parcelado e estaria sendo pago pela entidade.

Ferreira declara ainda que a eleição de Fernandes ocorreu na “surdina”, sem nenhum comunicado aos trabalhadores ou à CUT. “Eu mesmo fui obrigado a esconder a data da eleição em uma reunião de coordenação da CUT/Bauru, quando fui questionado sobre o calendário de eleições”, diz. Segundo ele, a presidente teria sua carteira de trabalho “esquentada” numa empresa pertencente a sua irmã, que estaria fechada. Ainda de acordo com ele, essa irmã seria funcionária fantasma do sindicato.

O atendente administrativo também revela que era impedido pelos diretores de participar de discussões de classe da CUT, além de receber ordens para que as lideranças da central sindical não fossem recebidas. Ele denuncia que os trabalhadores que se posicionavam contra à atual diretoria eram demitidos. Segundo Ferreira, dos 23 funcionários da entidade, 14 jamais prestaram serviços lá. Todos eles teriam grau de parentesco com a presidente.

De acordo com ele, essas irregularidades nunca foram denunciadas formalmente. “Chega uma hora em que é preciso a gente dar um basta”, pontua. O funcionário diz que demorou para expor os problemas por acreditar que a situação fosse mudar com sucessivas mudanças de diretorias. “Só que entra diretoria e os problemas só aumentam. Não está tendo mudança. E as mudanças que estão tendo são sempre para pior”, desabafa.


Gota d’água

Ferreira explica que a gota d’água para que a denúncia fosse feita à CUT foi a eleição para a renovação da diretoria do sindicato ocorrida no início deste mês. Segundo ele, os diretores teriam publicado o edital no Jornal Agora, sem circulação relevante em Jaú. “Como se não bastasse esta arbitrariedade, também no Jornal Agora, dias depois, foi publicado novo edital modificando data da eleição de forma que a mesma ocorresse no mesmo dia de uma audiência sobre ação judicial (...)”, conta.

A audiência a que o funcionário se refere integra tentativa judicial de uma chapa de oposição de ser notificada com antecedência sobre o prazo para o registro da candidatura, fato noticiado pelo JC. Na ocasião, o grupo de oposição, liderado por Claudemiro Jacinto, o ‘Miro Jacinto’, alegou falta de transparência por parte do sindicato na divulgação do edital. Apenas uma chapa foi inscrita – apoiada pela atual diretoria – e a eleição, que está sendo questionada na Justiça, foi realizada em dois dias.

De acordo com Ferreira, o material de divulgação da Chapa 1 foi bancado com recursos do sindicato. “O boletim fazendo campanha do presidente da Chapa 1 foi produzido juntamente ao panfleto em que a presidente do sindicato convocou os trabalhadores para votar. O dinheiro dos sócios serviram para bancar despesas da Chapa 1”, diz. Ainda segundo ele, diretores operaram “esquema de coação e ameaça aos trabalhadores que se recusaram a assinar a lista de presença da eleição”. O funcionário alega ter prova de todas as denúncias feitas.

A reportagem entrou em contato com a diretora do sindicato, mas ela não estava na sede da entidade e não atendeu a ligação em seu celular. Apesar do recado deixado em sua caixa postal, ela não retornou a ligação.

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