Pessoas que são furtadas e não procuram a polícia podem não saber, mas, ao deixar de registrar boletim de ocorrência, acabam comprometendo o planejamento estratégico de combate ao crime. Um exemplo claro desta realidade foi constatado na tarde de ontem, quando policiais militares detiveram um homem que carregava um compressor de ar em meio a um matagal e acabou sendo solto porque não havia registro de queixa de furto do equipamento.
“Por este motivo, não ficou comprovado que aquele objeto não era dele, apesar de todos os indícios de que ele iria trocá-lo por drogas”, comenta o capitão Renato Ramos. A ocorrência foi registrada por volta das 12h30, quando uma equipe de patrulhamento flagrou P.M.M. entrando em um matagal com um compressor de ar, na altura da quadra 1 da avenida Alfredo Maia.
Ao abordá-lo, ele estava sob o viaduto Eufrásio de Toledo, na companhia de outro homem, F.A., que já possui passagens por tráfico. No local, foram apreendidas 37 pedras de crack. Mas, como nenhuma queixa de furto de compressor havia sido registrada, os dois suspeitos foram liberados e, por enquanto, não respondem por nenhum crime.
De acordo com o capitão Fabiano Serpa, este é um exemplo típico de como a subnotificação de ocorrências pode prejudicar o trabalho da PM. “Com base nos indicadores criminais, com detalhamento sobre horários e dias mais críticos, bem como o modus operandi mais frequente, é que se planeja a distribuição do patrulhamento nos bairros da cidade”, frisa.
Ele explica que especialmente os furtos geram maior índice de subnotificações, principalmente quando se trata de objetos de pequeno valor. “Ninguém deixa de registrar o furto de carro, por exemplo. O que as pessoas precisam entender é que, se quiserem recuperar o bem perdido, precisam registrar a ocorrência. E há muitos casos em que o proprietário consegue recuperar este bem, por menor que seja o valor”, salienta.
Prevenção
Somente em janeiro deste ano, foram registrados 566 furtos em Bauru, volume 16% menor do que o mesmo mês do ano passado, quando foram contabilizadas 676 ocorrências. Já os furtos de veículos cresceram 27%, indo de 51 em 2012 para 65 registros em 2013.
Além de informar a polícia sobre qualquer ocorrência, a PM orienta a população sobre alguns cuidados que devem ser adotados para combater este tipo de crime. Entre eles estão manter uma rede de amizade com vizinhos, que podem se comunicar em caso de movimentação suspeita no bairro.
Também é importante exigir providências do poder público em relação a casas abandonadas, terrenos baldios mal conservados e ausência de iluminação pública. “Uma casa abandonada, por exemplo, é local para consumo de droga, partilha de bens furtados, cometimento de estupros e até homicídios. Isso afeta a ordem pública”, explica o capitão Ramos.
Em caso de viagem, outra recomendação é acionar a PM para que a residência seja incluída na chamada ronda programada. Por meio de um cadastro, o endereço será monitorado durante patrulhamentos realizados de manhã, à tarde e à noite.
O serviço é gratuito e totalmente sigiloso. As inscrições podem ser feitas pessoalmente nas bases comunitárias da PM ou por telefone. Os contatos são: 3232-1516 (Base Centro), 3227-6266 (Base Sul), 3214-1933 (Base Oeste), 3232-5111 (Base Noroeste), 3239-2978 (Base Leste), 3237-4119 (Base Norte) e 3232-8551 (Base Sudeste).
Dificuldades
Entre as dificuldades apontadas para a Polícia Militar (PM) para combater as ocorrências de furto estão a legislação penal frágil em relação ao tema e a cultura de receptação de produtos do crime, que ainda permanece na sociedade. “Pela lei, um sujeito que é pego em flagrante cometendo furto não fica preso. No dia seguinte, ele vai cometer o mesmo crime”, pontua o capitão Fabiano Serpa.
Já o capitão Renato Ramos destaca que, na maioria dos casos, as pessoas que compram bens furtados não têm entendimento sobre a gravidade do seu ato. “Enquanto tiver quem compre, sempre terá quem furte. O sujeito pensa no benefício imediato de pagar R$ 200,00 por uma TV que vale R$ 1 mil, mas não tem consciência de que alimenta este ciclo e também é criminoso”, pontua.