Polícia

Bauruense flagra fraude em seguro

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 2 min

Um golpe que consistia em colidir de forma grave o carro recém-comprado para fraudar o seguro. Foi esta quadrilha que foi desmantelada no Distrito Federal (DF). A operação Perda Total (PT) foi comandada pelo bauruense Henry Lopes, que é delegado-chefe da Delegacia de Repressão e Combate ao Crime Organizado (Deco). O golpe chega a quase R$ 1 milhão.

Os mandados de prisão foram cumpridos em várias cidades do Distrito Federal e de outros Estados. Eldo Eloi Lopes, Robster França Pereira, Daniela Fernandes Gonçalves e Norma Fernandes Gonçalves foram presos. Amanda Moura e Silva e Luiz Augusto ainda continuam foragidos.

A quadrilha forjava acidentes automobilísticos e destruía veículos segurados para obter lucro. “Eles compravam veículos de luxo que já estavam desvalorizados. Quando faziam o seguro, não faziam no preço de mercado, mas sim no de tabela”, relata Lopes.

Depois de provocar o acidente propositalmente, acionavam o seguro por conta da perda total e recebiam um montante 30% maior do que o valor da aquisição do automóvel.

As investigações apontam que Eldo era o “cabeça” da quadrilha. Ele, inclusive, era funcionário de um banco e facilitava as apólices de seguro acima do valor de mercado. “O interessante é que o Eldo se especializou para isso. Ele prestou concurso, passou e entrou no banco para aplicar esse golpe”.

Os outros integrantes eram da família de Eldo. O delegado explica que a quadrilha tinha uma estrutura empresarial para cometer os crimes.

Robster era um dos únicos “terceirizados”. Conhecido como Neguinho PT (Perda Total), ele era quem provocava os acidentes. “Identificamos, no mínimo, 24 batidas provocadas propositalmente nos últimos anos para aplicar o golpe. Ele fazia exatamente isso. Como tinha habilidade para dirigir, provocava as colisões, quase sempre frontais”, explica Henry Lopes.

As seguradoras fizeram dossiês que corroboraram as informações coletadas e apontam vínculos entre os envolvidos em cerca de 30 sinistros.

A investigação apontou ainda que o patrimônio de Eldo cresceu consideravelmente desde 2006, época em que o golpe provavelmente começou. Os veículos dele, uma BMW/X1, um Hynday/I30 e um VW/New Beetle, foram apreendidos.


De Bauru

O caso teve repercussão nacional por conta do ineditismo e da criatividade da quadrilha. “Não temos conhecimento de que algo assim já foi realizado em Brasília. Acredito que no Brasil também não”, aponta o delegado-chefe da Deco, Henry Lopes.

Ele, inclusive, é nascido em Bauru e tem familiares por aqui. “Sou formado em Direito pela Instituição Toledo de Ensino (ITE). Em 1999, dois anos depois de me formar, tomei posse como delegado no Distrito Federal”.

As investigações prosseguem e, segundo o delegado, é possível que ainda haja outros envolvidos.

Comentários

Comentários