O porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, disse ontem que a congregação de cardeais deve se reunir a partir da próxima segunda-feira
Segundo Lombardi, o cardeal decano Angelo Sodano deve confirmar a data do início da reunião em carta que será enviada ao Colégio Cardinalício hoje.
Uma vez reunidos, os cardeais decidirão a data para o início do conclave, o processo pelo qual será escolhido o novo papa.
Na última segunda-feira, Bento XVI publicou um decreto que muda a lei do Vaticano e abre caminho para antecipar o conclave que elegerá seu sucessor. A mudança significa que não será necessário esperar 15 dias para que seja escolhido o novo pontífice.
Desse modo, a previsão é que o conclave seja adiantado.
Denúncias
O cardeal Geraldo Majella Agnelo, arcebispo emérito de Salvador, um dos cinco brasileiros que participarão do conclave, afirmou ontem que cobrará acesso ao relatório secreto entregue a Bento XVI com informações sobre escândalos na igreja.
Nesta semana, a Santa Sé informou que o dossiê do chamado caso Vatileaks, feito por três cardeais a pedido do agora Papa emérito, só será conhecido pelo novo pontífice.
Majella disse ser contrário ao sigilo e defendeu que as conclusões do relatório sejam informadas antes do conclave a todos os 115 cardeais votantes.
“Eu acho que devia ser, se é que temos um dossiê grande. Devia ser comunicado. Que esses três cardeais passassem para nós, antes do conclave”, defendeu. “Se houve uma comissão e eles apresentaram um parecer, nós vamos querer saber.”
Segundo a revista italiana “Panorama” e o jornal “La Repubblica”, o dossiê descreveria a existência de uma rede de corrupção e prostituição homossexual na Santa Sé.