Bairros

DIG apreende caça-níquel disfarçado

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

A Polícia Civil apreendeu, ontem, uma máquina caça-níqueis camuflada de videogame e que continha sistema de disfarce eletrônico para despistar fiscalizações. Essa foi a primeira vez que um equipamento deste tipo foi apreendido pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Bauru, que acredita que ele possa ser instrumento de um grande esquema de lavagem de dinheiro.

A apreensão ocorreu por volta das 11h30 de ontem, em um bar localizado na quadra 6 da rua Albuquerque Lins, na Vila Falcão. Os policiais civis foram até o local para entregar uma intimação ao proprietário, de 59 anos, visto que o estabelecimento já havia sido alvo de outras duas apreensões de caça-níqueis neste ano.

No local, encontraram um equipamento disfarçado de videogame, que oferecia jogos de diversão inofensivos e era decorado, inclusive, com estampas de personagens eletrônicos infanto-juvenis. O aparelho continha, no entanto, um interruptor que possibilitava a exploração de jogos de azar.

Quando a chave era acionada, bastava o proprietário digitar uma senha para habilitar cinco opções de jogos em que os clientes poderiam perder muito dinheiro. Somente na manhã de ontem, já haviam sido arrecadados cerca de R$ 30,00.

“Há pessoas que deixam o salário do mês nestas máquinas, que são programadas para que a margem de ganho dos apostadores seja mínima. E o disfarce é justamente para dificultar o trabalho de investigação”, comenta o delegado Kleber Granja, titular da DIG.

O dono do bar assinou um termo circunstanciado por exploração de jogos de azar e foi liberado. Ele confessou a contravenção e explicou para a equipe como o caça-níqueis funcionava. Revelou ainda que embolsava 40% do total arrecadado e que o restante era destinado ao responsável pelo aparelho, que enviava um funcionário para recolher o dinheiro.


Lavagem de dinheiro

Segundo Granja, as investigações já foram iniciadas a fim de detectar a existência de uma quadrilha especializada em lavagem de dinheiro por trás do esquema. “O objetivo é descobrir, o mais rápido possível, quem faz parte e como funciona esta estrutura criminosa e apurar se o objetivo transcende a prática de jogos de azar”, acrescenta o delegado.

Granja destaca que esta é a primeira vez que um equipamento deste tipo - mais comumente visto nos grandes centros urbanos - é apreendido em Bauru. Acredita-se, porém, que outros semelhantes a ele já estejam em operação na cidade.

De acordo com o delegado, a DIG solicitará à Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan) a instauração de processo administrativo visando a interdição do bar. O mesmo será feito em relação a outros estabelecimentos que forem alvo de investigação pela prática deste tipo de crime.

As penalidades administrativas podem ir de advertência à cassação do alvará de funcionamento. “É mais uma forma de tentarmos inibir esta prática delituosa e reduzir as reincidências, que costumam ser frequentes”, pontua.

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