No meio político, vale a máxima: uma eleição começa quando a outra acaba. E a legislação reforça essa prática, pois, para um político disputar um cargo nas urnas, precisar estar filiado a um partido a, pelo menos, um ano antes do pleito. 2013 é um ano de ‘entressafra eleitoral’ e pretensos candidatos precisam entrar em uma legenda ou mudar para outra até o dia 4 de outubro, 12 meses antes das eleições gerais de 2014. Em Bauru, as movimentações já começaram.
Já começaram, por exemplo, as articulações para a formação do novo partido, capitaneado pela ex-senadora Marina Silva, que tem como projeto, novamente, lançar-se como presidenciável em 2014. O grupo chamado de a Rede precisa coletar 500 mil assinaturas para garantir seu registro junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e se viabilizar como legenda oficial.
Por aqui, o movimento tem sido organizado pelo fotógrafo Pedro Romualdo, que comandou também uma debandada do PSB, sigla que presidia até ser destituído do posto por intervenção do diretório estadual. Junto com ele, entregaram a ficha de desfiliação, na semana passada, o advogado José Milagre e o jurista e ex-vereador Toninho Garms.
Diferentemente do cenário nacional, no qual a Rede de Marina já conseguiu arrebanhar nomes de peso da política, com a ex-senadora Heloísa Helena, o fenômeno não se repete em Bauru, ao menos por enquanto. No primeiro encontro do grupo, estiveram presentes, por exemplo, o candidato a vereador pelo PV em 2012, Ivo Leite, que obteve 789 votos, além de Ticão do Parque Viaduto, que conseguiu 533 pelo PT, números bastante distantes dos conquistados por parlamentares eleitos no ano passado.
PSB
O atual presidente do PSB de Bauru, vereador Paulo Eduardo de Souza (PSB), também sinalizou namoro com a Rede de Marina Silva. Em janeiro, ele participou de encontro promovido pela ex-senadora na cidade de São Paulo.
O socialista, no entanto, apesar de admitir simpatia pela mobilização, nega interesse em trocar de sigla e garante ter comparecido ao ato político, após ter avisado seu diretório estadual. Verdade ou não, o fato é que o namoro deve ter, de fato, esfriado, já que a Rede caiu nas mãos de Pedro Romualdo, inimigo político de Souza, desde a intervenção estadual sobre o PSB.
De volta ao ninho
Vereador por vários mandatos em Bauru, Toninho Garms deixou o PSB na semana passada, após frustrante passagem pela sigla, que lhe negou legenda na disputa pela Câmara Municipal em 2012. O jurista, porém, não quer saber de distância da vida política e planeja breve retorno ao PSDB.
Garms diz não ter preconceito contra qualquer partido – tanto que, recentemente, passou também pelo PTB -, mas pondera que sua proximidade e amizade com o deputado estadual Pedro Tobias (PSDB) e com ex-vereador Marcelo Borges (PSDB), aos quais chama de irmãos.
“Recebi propostas de alguns partidos, mas tudo caminha para o meu retorno”, diz ele, que deixou o ninho tucano em 2007, insatisfeito pela inviabilização de seu nome para a disputa do Palácio das Cerejeiras no ano seguinte. Toninho conta que, mesmo informalmente, foi convidado para integrar o recém-criado PSD, além de ter sido assediado para compor a Rede.
De saída
Se está prestes a receber de volta Toninho Garms, o PSDB corre o risco, porém, de perder um de seus principais quadros. Caio Coube (PSDB), que já concorreu à Prefeitura de Bauru e à Câmara Federal pelo partido, está sendo fortemente assediado pelo PV, que teria planos eleitorais para o empresário em 2014, com a possibilidade, inclusive, de uma dobradinha junto a Clodoaldo Gazzetta (PV), derrotado nas eleições majoritárias de 2012, primeiro suplente de sua legenda na Assembleia Legislativa.
Caio evita comentar o assunto, mas é pública sua insatisfação acerca da condução do comando partidário, que está nas mãos de seu rival interno, Marcelo Borges (PSDB). Após o fracasso da candidatura de Chiara Ranieri (DEM), em 2012, com o apoio dos tucanos, Caio não poupou críticas ao ex-vereador.
O DEM chegou ao fim?
Encolhido em todo o País, sem vereadores em Bauru e com votação de 5% na última eleição para o Palácio das Cerejeiras, com Chiara Ranieri (DEM) na cabeça de chapa, o DEM pode estar chegando ao fim no município. Isso porque o presidente da sigla, Dudu Ranieri, já admite conversações com o PSD, fundado pelo ex-prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab.
A novidade foi noticiada, com exclusividade pelo JC, após a primeira reunião do partido pós-eleições, realizada no final de semana passado. Dudu contou que foi procurado pelo próprio Kassab, que também era do DEM e levou para sua nova sigla muitos companheiros da legenda anterior.
A diferença é que, em Bauru, a família Ranieri sempre foi a cara do DEM, antigo PFL, e sua saída do partido o descaracterizaria completamente. Além disso, a legenda deve perder o ex-vereador José Roberto Segalla, que não conseguiu se reeleger no ano passado e avisou que sairia da vida pública. No último sábado, ele já não participou do encontro demista.
Apesar disso, o atual presidente do PSD de Bauru, Toninho Correa, declarou em entrevista à rádio Auri Verde, que desconhece qualquer movimentação para que a família Ranieri assuma a sigla na cidade.
Em 2012, o PSD participou de sua primeira eleição. Em Bauru, apoiou Clodoaldo Gazzetta e lançou 10 candidatos a vereador. Jefferson Lima foi o que alcançou o melhor desempenho, com 546 votos.
O DEM, coligado com o PSDB na disputa proporcional, também não elegeu parlamentares. Em 2008, o partido emplacou Segalla e Chiara, que atuaram como dois dos principais opositores a Rodrigo Agostinho (PMDB) ao longo dos quatro anos seguintes.
Quadro petebista está esvaziado
O PTB também naufragou na eleição de 2012. Apesar de muito bem votado, o então vereador Luiz Carlos Barbosa não conseguiu se reeleger, pois a sigla não alcançou o coeficiente eleitoral, número mínimo de votos para a conquista de uma cadeira no parlamento. O pastor da Universal do Reino de Deus está de malas prontas para a legenda vinculada à sua igreja, o PRB.
Apesar de nanico em Bauru – com apenas um candidato a vereador em 2012, coligado com PP e PDT, o partido ganhou projeção com o lançamento de Celso Russomano à Prefeitura de São Paulo, no ano passado.
A saída do pastor Luiz não deve ser, no entanto, a única consequência para a derrota eleitoral do PTB bauruense. A saída de Ricardo Oliveira da presidência da sigla é comentada nos bastidores.
Candidato a vereador em 2012, o ex-secretário das Administrações Regionais de Rodrigo Agostinho conseguiu apenas 629 votos. Em 2010, ele recebeu 10.449 votos para deputado federal.
O fiasco do PTB é atribuído, em grande parte, ao comando da legenda por ter sido a única a não formar coligações proporcionais.