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Janete Gomes da Silva foi estrangulada e teve o corpo incendiado pelo namorado semana passada, em Bauru |
Mulher tem o corpo incendiado após ser estrangulada pelo namorado. Jovem atira o próprio carro contra veículo conduzido por casal de aposentados após esfaquear a namorada, tragédia com saldo de quatro mortes. Homem tenta o suicídio, é impedido pela ex-esposa que, em seguida, é morta por ele. Jovem mata a namorada com dois tiros e comete suicídio.
Em menos de um mês, este é o saldo de tragédias motivadas pela passionalidade, todas envolvendo relacionamentos amorosos, em Bauru e em cidades próximas.
A sequência de crimes, acentuada pelos requintes trágicos de cada um, choca a população e reabre a discussão sobre até que ponto sentimentos como paixão ou amor deixam de ser saudáveis e entram no estágio doentio.
Crimes passionais, atestam especialistas em comportamento e segurança pública, na realidade, sempre ocorreram e dificilmente deixarão de existir. Contudo, a constância com que ocorrem dá a sensação de que se mata mais e com maior crueldade, como se a vida, ou morte, estivessem “banalizadas”.
Irmã da jovem Fernanda Trípodi, assassinada em 2009, crime em que o principal suspeito é o ex-marido Roberto Carlos Fagundes, preso a
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Jovem esfaqueou namorada e depois se envolveu em um acidente, morrendo carbonizado e matando outras três pessoas |
espera de julgamento no Centro de Detenção Provisória (CDP), em Bauru, a cabeleireira Fabiana Hortência Tripodi, de 26 anos, acha que, independentemente ao caso que afligiu a família, aumentaram os crimes do gênero.
Especialmente contra as mulheres, as agressões com consequências trágicas, para ela, estão ainda mais contundentes e comuns, observa. “Acho que virou moda sair matando mulheres”, desabafa a irmã da vítima, cujos dois filhos menores, agora, vivem com a mãe da jovem assassinada.
Contando as horas para o julgamento, cuja data ela diz ainda não saber, a irmã de Fernanda diz que a família toca a vida como pode motivada, principalmente, em dar o melhor para os filhos da vítima que, na época do crime, tinham 11 e 6 anos. “Mas é uma dor que nunca vai acabar. È revoltante”, protesta.
Em desabafo durante a entrevista ao JC, a familiar diz não acreditar no cumprimento efetivo da legislação. “No meu conceito, a própria lei Maria da Penha não vale nada. O agressor só fica preso quando há o flagrante”, opina.
Cultura de morte
Não é apenas a irmã da moça morta com um tiro na cabeça em 2009 que observa crescimento dos crimes passionais, principalmente envolvendo relacionamentos amorosos com autoria de homens contra mulheres. Procuradora de Justiça do Estado, especializada na área criminal, Luiza Nagib Eluf compartilha da visão da familiar da vítima.
Autora de dois livros sobre crimes passionais – “A Paixão no Banco dos Réus” (Editora Saraiva, 284 páginas) e “Matar ou Morrer” (Editora Saraiva, 168 páginas), que esmiúça o caso que culminou com a morte do escritor Euclides da Cunha, assassinado pelo amante da esposa – a procuradora de Justiça observa aumento de crimes semeados pela paixão.
Em entrevista, concedida por telefone ao Jornal da Cidade, Luiza salienta a ocorrência de crimes passionais no Brasil desde os tempos do descobrimento. Entretanto, pondera a autora, vivenciamos um aumento de casos provocado, principalmente, por uma “reação” masculina, mesmo que inconsciência, à virada de mesa feminina contra a cultura machista que cai.
Para ela, em linhas gerais, mais do que parâmetros psicológicos, uma abordagem sociológica deve ser feita sobre a maioria dos casos passionais sobre envolvimentos afetivos. “Vivíamos uma cultura machista, patriarcal, que veio com os portugueses. Contudo, nossa sociedade não é mais assim. As mulheres não aceitam, os homens reagem”, analisa a autora.
A procuradora admite que nem todos os casos de assassinato passional em desentendimentos amorosos têm o homem como autor e mulher como vítima. Contudo, pondera, vítimas do sexo masculino são minoria. “Temos o episódio do Matsunaga (Marcos, morto e esquartejado pela esposa, Elize, que é ré confessa do crime, cometido ano passado). Mas é coisa de 1%”, acredita.
O sentimento de posse, aliado ao ciúmes em excesso, atribui ela, resulta numa combinação explosiva traduzida em cemitério e cadeia. “Os crimes passionais sempre são alavancados pelo ciúmes. É preciso entender que as mulheres também têm direito de escolha e ao sexo”, acentua. A chave para a diminuição, ao menos, dos casos, é só uma, cita: “respeito”, resume.
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