Tribuna do Leitor

Forbes


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Rico é outra coisa tão diferente de mim. (espantem-se, mim também pode).

Reparem nas fotos dos ricos: todos riem. Todos têm amplas testas. Embora as mulheres ricas sejam velhas e feias (deveria escrever idosas e desprovidas de beleza fosse eu rico e politicamente correto), o homem rico se entretém na companhia de belas jovens.

Eu, ao contrário, tenho a testa curta e sou sisudo. E, excetuando o amor da minha vida, a mãe dos meus filhos, que é a mulher mais linda do mundo, a quem conheci jovem, jamais fui assediado por mulheres bonitas.

Perdoem-me quando digo que sou sisudo.

Longe de mim (mim pode e deve) afirmar que rico, por ser rico, é leviano.

Tá aí José Sarney, que é rico e acadêmico. Edir Macedo. Afirmar que Edir Macedo, portador da palavra de Deus, é leviano... Que José Sarney, ex-presidente da República, presidente do Senado por três legislaturas, insaciável dono do Maranhão, é insensato só mesmo sendo pobre.

E pobre de marré, marré... Mas não paro aqui. Eu prossigo. (Evita-se mim). Para ser rico, além de exaustivo labutar, há de contar com a sorte.

Eike Batista, por exemplo. Seu pai, Eliezer, foi ministro das Minas e Energia em governos da ditadura. José Sarney, que foi Ribamar um dia, ficou rico após consultar um numerólogo e trocar de nome. Além, é claro, de ter a sorte incrível de nascer no Maranhão. (Maranhão, na minha infância no interior de São Paulo era um papagaio que não dependia de rabo. Que inocência... Não conheço Forbes, o fundador da revista. Nem sei dizer se ele é rico ou pobre. Se for pobre é muito burro, pois bastava alternar um nome. Quero dizer: um nome aqui, outro lá... Moedas tilintando... E pronto. Quanto vale uma primazia? Atenciosamente.

José Luis Scigliano

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