Economia & Negócios

Governo estadual lança linha de crédito para dar incentivo a produtos orgânicos

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 2 min

Com a proposta de fomentar o mercado de produtos orgânicos e sustentáveis, o governo do Estado anunciou ontem o lançamento do projeto São Paulo Orgânico, que disponibilizará uma nova linha de crédito com tetos de até R$ 100 mil para pequenos produtores e R$ 400 mil para cooperativas e associações de agricultores. O financiamento possuirá juro anual de 3% e prazo para pagamento de até sete anos.

O anúncio do financiamento, divulgado na Capital, ocorreu em sintonia com uma reunião entre produtores de Bauru e região, a Secretaria da Agricultura e Abastecimento (Sagra) e a Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), órgão ligado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do governo do Estado, que definiu algumas ações a serem desenvolvidas em Bauru para aumentar a produção orgânica e a difusão da agroecologia.

Boa notícia

Boa notícia para produtores rurais como Flavia Toquete, que há anos atua com agroecologia no sítio Casa do Jatobá, uma propriedade de cerca de um alqueire de extensão localizada na cidade de Arealva. A agricultora conseguiu unir um grupo formado por outros dois agricultores para obter a certificação de produto orgânico, emitida pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), através de um conjunto de ações e fiscalização realizada entre os próprios produtores.

“Tem muitos países que estão avançados na certificação participativa (documento que comprova a origem orgânica dos alimentos emitido por grupo agricultores devidamente cadastrados em uma Organização de Controle Social no Mapa) e no trabalho em rede da produção orgânica. O Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos no mundo e isso tem que mudar, devemos evoluir. As pessoas que possuem informação não consomem mais alimentos convencionais”, comenta Flávia.

Sobrepreço e certificação

A intensificação dessas ações para obtenção da certificação participativa, inclusive, foi um dos temas amplamente debatidos na reunião de ontem, em Bauru, com o representante do Mapa, Marcelo Laurino, que também é coordenador da produção orgânica no Estado.

“Ainda há uma barreira muito grande em termos de certificação dos orgânicos, que hoje é feita de modo particular ou de forma participativa. Mas o produtor não deve abrir deve mão dessa certificação, que hoje é o nosso principal foco. Afinal, é o que comprova a origem orgânica dos alimentos aos revendedores e consumidores”, afirma Laurino, mostrando aos agricultores presentes o documento emitido por meio da certificação participativa.

Além disso, o preço alto de alguns alimentos orgânicos em comparação aos convencionais produzidos em larga escala também foi alvo de discussão. “O sobrepreço é negativo. Alguns supermercados chegam a duplicar o preço, enquanto nas feiras o consumidor encontra pouca diferença. Precisamos de uma grande política pública para viabilizar mais feiras e aumentar as certificações”, reforça Laurino.

A reunião aconteceu sem a presença do secretario de Agricultura e Abastecimento de Bauru, Antônio Francisco Maia, que precisou se ausentar minutos antes do início da composição da mesa de discussões.

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