A última terça-feira foi um dia atípico para a polícia e de muita tristeza para 12 bauruenses que tiveram seus veículos furtados. Uma ação, ‘orquestrada’ ou não, fez o índice disparar para um furto de veículo a cada duas horas, 12 em 24 horas.
Essa estatística representa seis vezes mais o volume diário de furtos registrado em dias normais, que não ultrapassa dois. Dados da Secretaria de Segurança Pública mostram que, em janeiro de 2013, foram registrados 65 furtos de veículos em Bauru, ante 51 em 2012 e 54 no mesmo período de 2011.
O maior alvo dos crimes são as motos – dos 12 furtos, dez foram motocicletas. As facilidades em levar uma motocicleta são apontadas como um dos atrativos para o ladrão que age com naturalidade.
Na opinião do delegado seccional de Bauru, Marcos Mourão, o autor de um furto de moto não leva mais do que dois minutos para sair com o veículo. “Ele chega com o capacete na mão e em pouquíssimo tempo faz a ligação e deixa o local. Algo em torno de dois minutos, especialmente se o veículo não estiver dotado de algum sistema de trava, bloqueio ou alarme. O destino dessas motos são os desmanches, onde as peças são adulteradas e vendidas. Mas nem todos os produtos de furto têm o mesmo destino. Alguns desses veículos são usados para outras ações, como o roubo. Há ainda aqueles que furtam a moto para repor peças em sua própria moto. Há casos de apreensão de motos com várias peças furtadas. Temos que considerar ainda o aumento da frota.”
Para o coordenador operacional interino da PM, capitão Ézio Melo, o ladrão age com destreza. “Ele consegue ligar a moto de maneira tão natural que até as pessoas que estão por perto não percebem a ação delituosa. É um sujeito tranquilo. Em muitos dos casos nem o policiamento de rotina percebe que o veículo está sendo furtado.”
Na opinião de ambos, os proprietários de motos podem se prevenir adotando algum dispositivo de segurança. “O que pode colaborar é adotar uma corrente com cadeado, uma trava ou um alarme. Porque a atitude do criminoso está cada vez mais especializada e dificulta a ação policial. Eles não têm se intimidado, agem em plena luz do dia e em locais onde há trânsito de pessoas e de veículos.”
O capitão classificou anteontem como um dia atípico. “O índice de furtos de veículos, especialmente motos, foi acima da média histórica dos últimos anos. Estamos com várias ações para coibir esse tipo de crime”.
Já o delegado seccional explica que a Polícia Civil vai intensificar as investigações, principalmente nos casos de furtos de moto. “Queremos identificar o autor e o receptador dessas motos e peças. Existem muitas informações, mas não conseguimos fechar os dados para efetuar as prisões.”
Recuperação supera 50%
Se o índice de furtos é alto, o percentual de recuperação de veículos acompanha, diz o seccional Marcos Mourão. “O índice de recuperação de carros é próximo de 70% e de motos, 90% , tudo por conta do abandono. Eles são abandonados na periferia da cidade, zona norte, oeste , mais em lugares ermos.”
A chance de uma vítima recuperar uma moto é grande, confirma o capitão Ézio Melo. “Ontem mesmo localizamos um veículo. Não raras vezes, em operações de bloqueio, identificamos peças furtadas que foram adulteradas.”
Região sul lidera tipo de crime
A área sul da cidade tem concentrado o maior número de furtos de veículos, enquanto as zonas sudeste, leste e oeste são regiões escolhidas para os abandonos do produto do furto. Para o capitão Ézio Melo, a região do Bauru Shopping tem sido a escolhida pelos ladrões de moto. Há, inclusive, alguns bolsões onde os furtos estão ocorrendo em pleno dia.
As polícias Civil e Militar admitem que o crime de furto possa estar sendo cometido por várias pessoas que necessariamente não pertençam a uma quadrilha, agem sozinhas. Na opinião de Mourão, durante as investigações foi observado que tem muita gente atuando. “Não é necessariamente uma quadrilha, mas nenhuma hipótese é descartada. O que aconteceu anteontem não foi normal, saiu do registro habitual que é, em média, 60 furtos ao mês.”
O delegado ressalta que no ano passado uma ação policial desarticulou uma quadrilha que furtava carros novos. “Foi a 1ª ação contra o furto de veículos. No momento estamos voltados para a subtração de motos. Há várias investigações no sentido de identificar os receptadores, mas ainda não fechamos para efetuar as prisões.”
‘Estou sem meu veículo de trabalho’
Paulo Sérgio Caldeira Mateus é adestrador de cães. Na última terça-feira estacionou sua moto, uma Honda NX, na quadra 4 da rua Vivaldo Guimarães, no Jardim Estoril, e foi adestrar um cão. “O furto aconteceu entre 11h e 11h30. Quando retornei não encontrei mais a moto.”
Ele tem esperança de ter a moto de volta, já que em muitos casos os veículos são abandonados na periferia da cidade. “Era uma moto ano 2000, sem seguro e que valia cerca de R$ 6 mil.”
Para ele, a moto é essencial, uma vez que percorre diariamente cerca de 80 quilômetros em suas atividades profissionais. “Adestro cães em vários pontos da cidade e também na vizinha cidade de Agudos. Sem o veículo, o trabalho fica comprometido. Provisoriamente, estou trabalhando com um carro 1994 que uso somente para transportar as crianças para a escola e fazer compras. Temo que o veículo não aguente a rotina diária. Além do mais, aumenta os gastos.”
Na opinião dele, a moto pode ter sido trocada por crack. “Eu acho que o ladrão pode ser um usuário de crack. Normalmente eles furtam o veículo e trocam pela droga. Eu espero que a polícia encontre a moto”, conclui.