Internacional

Chávez morre de câncer aos 58 anos

Folhapress
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Arquivo/Reuters

Ele morreu sem ter tomado posse em 10 de janeiro

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, um dos mais influentes e controversos líderes da América Latina das últimas décadas, morreu ontem em Caracas, aos 58 anos, após lutar por 21 meses contra um câncer.

“Vamos acompanhá-lo até sua última morada abraçando-nos como uma família, juntos com uma família, a família dessa pátria que ele nos deixa de herança: livre e independente”, anunciou na TV, às lágrimas, o vice Nicolás Maduro, que informou que a morte aconteceu às 16h25 (17h55 de Brasília).

O desaparecimento de Chávez, provocado por uma doença sobre a qual o governo jamais divulgou detalhes, abre um período de incertezas na Venezuela. Novas eleições presidenciais devem ser convocadas em 30 dias, segundo a Constituição.

Maduro, escolhido herdeiro político pelo esquerdista, deve ser o candidato governista. A notícia foi recebida com consternação por seus apoiadores, que, nas últimas duas semanas, acompanharam com orações e vigílias os escassos informes médicos a respeito do estado de Chávez, internado no Hospital Militar de Caracas desde o dia 18.

Grande parte dos meses da luta contra o câncer, no entanto, ele passou na Havana do seu mentor Fidel Castro, onde foi tratado sob estrito controle de informação.

Ele recusaria ofertas oferta de Dilma Rousseff e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ser atendido no hospital Sírio-Libanês.

Em seus 14 anos de mandato, Chávez beneficiou-se de um boom do petróleo, principal produto de exportação do país. Usou a estatal PDVSA para financiar programas sociais.

Os índices de pobreza caíram, mas à custa de alta na inflação. O presidente também foi acusado de autoritarismo, tomando medidas contra meio de comunicação críticos, por exemplo.

Ele morreu sem ter tomado posse em 10 de janeiro para o quarto mandato, para o qual foi reeleito em outubro para governar até 2019.

O esquerdista fez campanha, assessorado pelo marqueteiro brasileiro João Santana, dizendo-se curado.

Menos de dois meses depois, em 8 de dezembro, foi à TV fazer um emotivo pronunciamento de que teria que se submeter à mais uma cirurgia contra o câncer em Cuba com riscos “inegáveis”.

Seria a última aparição do exímio comunicador que levou o uso da TV pela política a um patamar de “reality show”, inclusive para lidar com o câncer.

Chávez transformou o drama da doença num enredo de suspense e emoção, com lacunas informativas, momentos de júbilo milagroso, especialmente explorados pelos governistas nos últimos 86 dias de vida do presidente, num misto de preparação para o luto e mitificação na TV. 


 

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