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Membros do MST ocupam escritório do Incra em Bauru

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 2 min

Dezenas de manifestantes do Movimento Sem-Terra (MST) de cidades da região ocuparam, na manhã de ontem, o escritório do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), localizado no Jardim América, zona sul de Bauru. Organizado por mulheres, o movimento teve como objetivo reivindicar melhores condições nos assentamentos e protestar pela arrecadação de terras para a reforma agrária em plena véspera do Dia Internacional da Mulher, comemorado hoje.

A ocupação ocorreu de modo pacífico e os integrantes do grupo pediram que os funcionários do Instituto Biodinâmico (IBS), responsável pela assistência técnica dos assentamentos administrados pelo Incra, deixassem o local.

“Mais de 10 mil hectares de terra da União estão nas mãos de grandes empresários, enquanto mais de 500 famílias esperam por moradias acampadas às beiras de estradas e fazendas, correndo riscos”, aponta a integrante do MST Elizete Souza da Silva. Ela acrescenta que o último assentamento foi entregue em 2010 pelo Incra ao movimento e ainda está sem energia e água.

Segundo Elizete, atualmente 11 mil famílias organizadas pelo MST estão assentadas no Estado atualmente.

Ainda de acordo com ela, somente entre a região de Bauru e Iaras existem 11 áreas improdutivas que poderiam servir de terras para a construção de moradias da reforma agrária.

Munidos de colchões e com a cozinha improvisada aos fundos do quintal do escritório do Incra, os ocupantes prometem só deixar o local após uma negociação com o Incra. De ontem para hoje, portanto, dormiram no local.

Nacional

Segundo os ocupantes, a manifestação organizada pelas mulheres do MST ocorre em caráter nacional. “As sedes do Incra em Iaras e em várias outras cidades no Estado e no país já foram ou estão sendo ocupadas. Grande parte dos assentamentos não possui estrutura e nem mesmo licenciamento ambiental, o que impede a retirada de benefícios por parte dos assentados e causa um descontentamento geral”, reforça Elizete.

Dificuldades que assombrariam famílias como a de Andreia Menezes, 36 anos, assentada em Borebi (32 km de Bauru). “Não temos água e nem como produzir. O assentamento não tem escola e não temos acesso à saúde. Quando chove ficamos isolados”, reclama a mulher, moradora do assentamento Loiva Lurdes.

Incra

Questionado sobre uma possível negociação ou a respeito das ações diante das ocupações, o Incra informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que ainda não recebeu uma pauta oficial do MST com as reivindicações. “Nossa posição é sempre de diálogo. Assim que a pauta for apresentada iniciaremos uma negociação.”

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