Geral

Versão de diarista não se sustenta, aponta inquérito da Polícia Civil

Da Redação
| Tempo de leitura: 5 min

O inquérito instaurado pela Polícia Civil para apurar a denúncia de coação que teria partido do casal Sandro e Fernanda Fernandes contra a ex-empregada da família concluiu que a versão apresentada pela diarista é inverídica. A mulher alegou que havia sido coagida por eles para justificar a ligação feita do aparelho telefônico dela, na qual a interlocutora afirma ter mentido ao acusá-los de abuso sexual.

Na oportunidade, uma voz feminina, apontada como a da diarista, admitiu ter faltado com a verdade por ter recebido promessa de ser beneficiada com R$ 5 mil, recompensa que não teria sido paga. A conversa foi gravada pelos acusados e apresentada ao Judiciário e à imprensa. A ex-empregada tem papel imprescindível no caso. Foi somente após o depoimento dela na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) é que a Justiça decretou a prisão de Sandro e Fernanda Fernandes, já revogada.

Também na DDM, a ex-empregada negou ter feito a ligação. Mas por meio da quebra do sigilo telefônico solicitada no inquérito que apura a gravação, ficou confirmado que o contato partiu do celular da diarista. Ela, então, justificou que os procurou porque havia sido coagida. Mas as investigações para apurar a denúncia dela de intimidação concluíram que não há provas de que ela tenha sido abordada pelo casal, como afirmou.

A diarista informou à Polícia Civil que os encontrou numa noite, depois das 20h (horário em que o casal deveria estar em casa porque, na época, cumpria prisão domiciliar), a cerca de duas quadras do imóvel onde vivem os acusados. Relatou ainda que havia sido coagida três ou quatro dias antes de lhes telefonar. Mas com base no relato de vigias que trabalham na casa em frente à da família Fernandes, o inquérito aponta que o casal não saiu de casa nas datas apontadas.

Além disso, Sandro e Fernanda tinham acabado de ser liberados da prisão. A imprensa, inclusive, fazia plantão em frente à casa deles. Outros dois dias indicados pela ex-funcionária eram sábado e domingo, datas em que a ex-empregada não trabalhava até depois das 21h30, quando a abordagem teria sido feita. Em juízo, a diarista, porém, mudou a versão inicial e afirmou ter se recordado o dia exato da semana em que foi abordada: uma segunda-feira.

Alegou ainda que estava próxima da residência do casal porque pega uma linha de ônibus nas imediações para retornar para casa, após o expediente. Por meio dos cartões da Transurb, o inquérito aponta que a mulher não pegou o circular indicado por ela, cujo ponto fica muito distante da casa da atual patroa dela - por onde outras linhas passam em frente e param a poucos quarteirões da casa da ex-empregada.

Diante disso, a Polícia Civil conclui que há discrepância e incoerência em relação à lógica da praticidade na versão da ex-funcionária. Ela foi excluída como vítima no processo de abuso sexual e, agora, figura somente como testemunha protegida. Sandro é acusado de molestar sexualmente três pessoas de sua família. Já a esposa Fernanda Gomes Fernandes é apontada como coautora por supostamente ter sido omissa.

Perícia

A gravação em que uma mulher alega ter acusado Sandro e Fernanda Fernandes de abuso sexual mediante o pagamento de R$ 5 mil não tem sinal de cortes ou edição, segundo apurou o Instituto de Criminalística. A informação apurada pelo JC dá conta ainda de que o horário da ligação, assim como de onde partiu, foi confirmado nas duas contas telefônicas. Também bateu com o horário da gravação do notebook.


Entenda o caso

26/09/2011 - Familiares de Sandro Fernandes convocam a imprensa para relatar os supostos abusos sexuais praticados pelo advogado, que foram denunciados em agosto na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM).

30/09/2011 - Sandro e Fernanda Fernandes comparecem à DDM para depor. Depois de quase 10 horas, deixam a delegacia rumo à prisão.

21/10/2011 - Sandro é transferido para a Penitenciária 2 de Tremembé, no Vale do Paraíba. Defesa fica sabendo através da reportagem do JC.

01/12/2011 - O Supremo Tribunal Federal (STF) concede prisão domiciliar a Sandro. No dia seguinte, a Justiça de Bauru estende o benefício a Fernanda. O casal ganha o direito de se ausentar da residência até 20h.

11/12/2011 - Justiça de Bauru exclui do processo a quinta vítima que acusou Sandro de abuso sexual. A mulher, que trabalhou na residência da família do advogado, teria feito a denúncia fora do prazo legal.

12/01/2012 - Advogado de duas vítimas pede na Justiça para que Sandro cumpra prisão domiciliar sem poder sair de casa e que Fernanda volte para a cadeia, mas o casal continua na residência da família.

14/01/2012 Advogados de Sandro apresentam à imprensa gravação telefônica em que uma mulher, identificada como a ex-empregada da família, afirma que receberia R$ 5 mil de uma outra vítima para acusar o advogado.

16/01/2012 - Cópia da gravação telefônica é juntada ao processo. Defesa entende que Sandro pode ter coagido funcionária durante o telefonema.

20/01/2012 - Diarista nega, em depoimento prestado na DDM, que tenha mantido qualquer contato com Sandro Fernandes. Ela afirma que a voz da gravação apresentada não é dela.

22/03/2012 - Primeira audiência do caso. Quatro das supostas vítimas prestam depoimento ao juiz da 2ª Vara Criminal de Bauru, Jaime Ferreira Menino. Presentes na audiência, Sandro e Fernanda, a pedido da defesa das vítimas, não assistem aos relatos.

29/03/2012 - O advogado de acusação protocola na Justiça pedido de revogação da prisão domiciliar de Sandro e da liberdade provisória de Fernanda. O argumento foi de que os réus descumpriram a exigência de não se aproximar das supostas vítimas, o que teria ocorrido durante a primeira audiência.

03/05/2012 - Segunda audiência do caso. Das oito testemunhas de acusação convocadas, apenas três (o sogro e duas cunhadas de Sandro) prestaram depoimento no Fórum. As outras cinco foram dispensadas pelo promotor. O processo corre sob segredo de Justiça.

Comentários

Comentários