Polícia

Comandante Nelson Garcia dá adeus ao batalhão da PM

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 3 min

Fotos: Neide Carlos

Tenente-coronel Nelson Garcia Filho

Nascido dentro de uma viatura da Polícia Militar (PM), o seu destino não podia ser diferente. Depois de dedicar grande parte de sua vida em defesa da sociedade, seguindo uma linha democrática, o tenente-coronel Nelson Garcia Filho, comandante do 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPMI), se aposentou ontem. A partir de segunda-feira, o major Walter Oliveira assume a cadeira deixada por Garcia.

A vida policial do tenente-coronel, na realidade, nunca foi separada de sua vida social. Durante toda a gravidez, sua mãe Jarvys, esposa do então sargento Nelson Garcia Filho, olhava o marido trabalhar no antigo batalhão. Era julho de 1963 quando Jarvys percebeu que seu filho estava pronto para nascer.

“Os meus pais moravam em uma casa em frente ao 4º BPMI, onde hoje fica o Comando de Policiamento do Interior-4 (CPI-4) e meu pai era sargento e trabalhava lá. Minha mãe estava grávida e percebeu que eu estava nascendo. O

Oliveira: trabalho para reduzir criminalidade

primeiro socorro que resolveram chamar foi no batalhão, onde só havia uma viatura, e eu nasci no caminho para o hospital, dentro da viatura. Quando eu pergunto para a minha mãe se ela cantava para mim, ela fala: não precisava, você ouvia a banda do batalhão”, contou, aos risos.

O quartel passou então a ser o “quintal” de sua casa. Logo que começou a pensar em carreira profissional, decidiu seguir a de policial militar. Em 1982 ele ingressou na Academia de Polícia Militar do Barro Branco e em 1984 começou a dar seus primeiros passos nos batalhões de São Paulo. “Eu passei pelo 1º Batalhão Castelo Branco, 16º e 19º batalhões, pelo 1º e 2º rodoviário, além das diversas cidades aqui da região, que passei a conhecer muito bem. Também fui comandante do 1º Pelotão Feminino operacional aqui em Bauru”, disse.

Além de experiência, atualmente ele também soma 2 milhões de quilômetros rodados em uma viatura. “Contabilizei tudo. Eu rodava cerca de 300 quilômetros por dia trabalhando em uma viatura. No final deste trabalho, eu somei 2 milhões de quilômetros trabalhados”, acrescentou.

Sacerdócio

No total foram 13 anos morando em quartel e em seguida Garcia constituiu sua própria família. Casou-se e hoje é pai de quatro filhos - trigêmeos (duas meninas e um menino) de 14 anos e outra menina de 11 anos. “Para mim a profissão de policial militar é um sacerdócio. Não existe vida social separada da vida de policial”.

Para Garcia, a sensação que fica agora é a de missão cumprida, de conquistas e combate ao crime organizado. “Durante toda essa vida de policial perdi muitos amigos em serviço e alguns policiais quando estava em São Paulo, mas como comandante do 4º BPMI, graças a Deus isso não aconteceu”.

Garcia agora planeja a se dedicar ao motoclube e ao rock, também suas paixões. “Quero continuar vindo aqui no batalhão, onde fiquei três anos no comando, e não perder os laços de amizade que formei neste lugar. Agora vou me dedicar mais à minha família, ao motoclube e ao rock”, finalizou Garcia, que se aposenta com a patente de coronel.

 

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