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Preso há um ano, julgamento de Mizael começa amanhã

Folhapress
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De um lado, um psicopata frio e perturbado com o término de um relacionamento, o que o levou a matar a amada. Do outro, um homem doce, educado, que está preso injustamente há um ano vítima de uma investigação falha.


Essas duas versões da personalidade do ex-PM e advogado Mizael Bispo de Souza serão exploradas a partir de amanhã no Fórum de Guarulhos (Grande São Paulo), quando ele começa a ser julgado, às 9h.


Mizael é acusado de matar a também advogada Mércia Nakashima, 28 anos, com quem namorou. Mércia desapareceu em 23 de maio de 2010 e foi achada morta, por afogamento, 19 dias depois em uma represa de Nazaré Paulista (a 64 km de São Paulo).


“Ele é o típico criminoso passional”, afirma o promotor Rodrigo Merli Antunes, que irá apresentar a primeira das duas versões de Mizael.


Segundo ele, um conjunto de provas mostra que o ex-PM matou Mércia. Entre elas, ligações telefônicas que o colocam perto do local do crime e laudos que apontam vestígios de uma alga típica da represa no sapato de Mizael.


Já a defesa questionará as provas. Levará ao júri um perito que dirá, por exemplo, que a alga encontrada no sapato é comum até em poças d’água.


O embate decisivo, no entanto, se dará em torno da hora do crime. Uma testemunha disse ter visto o carro ser jogado na represa às 19h30.


Neste horário, antenas telefônicas mostram que Mizael estava em Guarulhos.


Em novo depoimento, a testemunha mudou a versão e disse não saber a hora exata.


Mizael está preso desde 25 de fevereiro de 2012, quando se entregou à polícia após ficar mais de um ano foragido.


Ele trabalha na lavanderia do presídio e, todas as semanas, recebe a filha de 11 anos.


Neste período, o ex-PM escreveu um livro, intitulado “Na Cova dos Leões”, e busca uma editora para publicá-lo.


No livro, ele relata sua vida, diz que foi “pintado como  um mostro” e conta detalhes de seu relacionamento com Mércia - dizendo, inclusive, que ela não aceitava a separação.

 

Pela primeira vez na TV

O julgamento de Mizael de Souza será o primeiro no País a ser transmitido ao vivo por emissoras de rádio, televisão e sites.


A decisão foi do juiz Leandro Bittencourt Cano, com a concordância da Promotoria e da defesa.


Segundo o juiz, o objetivo é mostrar uma maior transparência no Judiciário, cuja imagem está arranhada pela opinião pública, que acredita que o juiz de toga gosta de impunidade.

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