São Paulo e Palmeiras entram em campo neste domingo, no Morumbi, às 16h, atrás de muito mais do que três pontos. Os dois times querem também um pouco de estabilidade, além de recuperar a confiança perdida na última rodada da Libertadores. Os resultados nada convincentes durante a semana os deixam em situações pouco confortáveis nos seus grupos da competição continental e jogaram mais água quente no habitual caldeirão que sempre é um clássico entre esses rivais do futebol paulista.
Nem mesmo o quase sempre morno ambiente do São Paulo escapou de dias turbulentos. O frustrante empate em casa com o Arsenal na quinta-feira, no Pacaembu, fez o clássico deste domingo mudar de status. De um simples jogo na agenda, provavelmente com os reservas em campo, passou a ser uma chance de fazer ajustes urgentes nas pálidas atuações do time titular. O foco está na próxima quinta, quando será a vez de reencontrar a equipe argentina, dessa vez fora de casa, na Libertadores. “Nada melhor do que um clássico para dar confiança depois de um resultado ruim”, admitiu o atacante Osvaldo. Tanto que o técnico Ney Franco não vai abrir mão de escalar a força máxima possível diante do Palmeiras.
O São Paulo vem fazendo boa campanha no Paulistão, com 22 pontos, mas ainda não convenceu na temporada. E sabe que o Palmeiras também está sob pressão. “Eles vinham em uma sequência boa, mas também foram mal no último jogo. É clássico e não podemos menosprezar nosso adversário”, explicou Osvaldo, um dos destaques são-paulinos na temporada.
É fato que a situação do Palmeiras é pior. Na última quinta-feira, o time se envolveu em uma confusão com sua própria torcida no aeroporto de Buenos Aires, quando voltava da derrota para o Tigre na noite anterior. Como só volta a jogar a Libertadores daqui quase um mês - no dia 2 de abril -, a ideia palmeirense é aproveitar o Paulistão, que teoricamente é mais fraco, para engatar uma nova sequência de resultados positivos e conseguir ter paz.
O problema é que o adversário deste domingo é justamente aquele que o técnico Gilson Kleina considera como responsável por uma das derrotas mais vexatórias desde que chegou ao clube, em setembro do ano passado. O São Paulo venceu o clássico no Brasileirão por 3 a 0 e teve chances de marcar ainda mais. “Realmente aquele jogo deu tudo errado, mas serviu de lição. Em clássico, um erro pode ser fatal”, lembrou o comandante palmeirense.
Um dos artifícios usados pelo treinador para animar o elenco é lembrar que o Palmeiras pode quebrar um jejum de 11 anos. A última vez que o time derrotou o São Paulo no Morumbi foi em março de 2002, quando fez 4 a 2 pelo Torneio Rio-São Paulo. Desde então, foram 12 vitórias são-paulinas e sete empates.
Desfalques de última hora?
De olho no duelo com o Palmeiras, o técnico Ney Franco realizou um treinamento recreativo na manhã deste sábado no CT da Barra Funda. Denilson, que havia treinado na última sexta-feira com o elenco, treinou sem limitações, mas está fora da partida e será substituído por Fabricio. Poupado, o volante deverá voltar ao time contra o Arsenal, quinta-feira, fora de casa, pela Copa Libertadores. O zagueiro Rhodolfo, com entorse no tornozelo direito, seguiu em recuperação no Reffis e também vai desfalcar o Tricolor no Choque-Rei.
Já o técnico Gilson Kleina não divulgou a escalação do Palmeiras para o clássico. O treinador comandou um treino fechado para a imprensa, neste sábado pela manhã, na Academia de Futebol, e manteve em segredo a formação que iniciará a partida. Segundo nota publicada no site oficial do Verdão, o comandante testou o provável time para o confronto e simulou algumas situações de jogo, como cruzamentos defensivos e ofensivos. O grupo realizou também um trabalho de finalizações.
O meia Valdivia, com uma lesão na panturrilha esquerda, e o zagueiro Henrique, com um problema no joelho esquerdo, ficaram em tratamento no departamento médico. A expectativa, porém, é de que ambos estejam em campo desde o começo da partida. A tendência é que ele mantenha a mesma formação do último jogo. A única novidade deve ser apenas a entrada do lateral-esquerdo Juninho, no lugar de Marcelo Oliveira, suspenso. Maikon Leite e Souza estão fora, ambos machucados.