Tribuna do Leitor

Chorão x Chavez


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Existe uma ligação interessante entre os falecidos líder do Charlie Brown Jr. e o ?El Comandante? Hugo Chávez. Quando eu era adolescente, Chorão foi um dos meus grandes ídolos... Lembro que, na época, seu estilo desbocado e moleque era admirado e imitado por todos os meninos skatistas. Nessa época, em um lado escuro e pobre do mundo, um militar com cara de índio assumia como presidente um dos países mais pobres da América Latina. Para mim, assim como para muitos outros, isso pouco importava.

As trajetórias de ambos possuem falhas e insucessos, no entanto, podem ser entendidas como antagônicas para mim. Enquanto Chorão passou de ídolo a pária, no meu processo de amadurecimento político e social passei a admirar Hugo Chávez. A despeito do esquerdismo ufanista, Hugo Chávez trouxe estabilidade econômica e social ao povo de seu país, e em um mundo de capitalismo ferrenho isso é no mínimo admirável. Tempos tristes estes em que temos que admirar um líder político que faz ao menos cumprir suas obrigações.

Já a personalidade do Chorão desmontou-se perante meus olhos durante esses anos... Descobri que meu ídolo musical era um cara egoísta e mimado, que não aceitava críticas e tinha cortado suas relações com o pai. Se não bastasse, nem o que ele se prestava a fazer fazia bem. Axl Rose é um escroto, mas compunha bem. Chorão, nem isso. Suas músicas eram um amontoados de frases feitas. Interessante como essas duas personalidades tinham tratamento diferentes: enquanto Chávez era chamado de ditador no Jornal Nacional, Chorão era homenageado no Domingão do Faustão. Isso deixa uma coisa bem clara: alguma coisa na TV vai mal... Muito mal.

Não acredito em inferno, então acredito que se os dois partiram foi porque cumpriram sua missão. Bem ou mal, ambos cativaram fãs e arrolaram críticos. Talvez a missão de algumas pessoas seja apenas isso... Nos fazer pensar sobre nosso comportamento, sobre nossa ética e nossos valores... E principalmente sobre nosso fim. O que vai ser... Prefere perder velhos amigos por causa de dinheiro ou fazer uns inimigos para tirar crianças da miséria? Prefere ser admirado pelas adolescentes fúteis ou odiado pelos empresários do ramo de energia?

No fim, tudo que sobra é isso, um verbete na Wikipédia. Uma breve descrição da sua trajetória e das pessoas que incomodou. Quando morremos, perdemos a chance de mudar o mundo, e de gerar opiniões positivas e negativas a nosso respeito. Descansem em paz, El Comandante e Marginal Alado. Não sei se o mundo fica melhor ou pior sem vocês, mas tenho certeza que ficou diferente.

De uma coisa, no entanto, eu tenho certeza: quando chegar a minha hora de partir, prefiro ser malhado pelo Willian Bonner do que Homenageado pelo Fausto Silva.

José Eugênio de Mira - analista técnico administrativo - TI Gerência do Departamento de TI - Fatec Bauru

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