Estudos em andamento no mundo todo sobre as causas da ?insuficiência ovariana primária?, também chamada de ?menopausa prematura?, ainda são inconclusivos, mas há fortes evidências indicando a possibilidade de se tratar de um problema genético que atinge uma em cada 100 mulheres.
Enquanto a maior parte do público feminino chega à menopausa por volta dos 50 anos de idade, esse grupo começa a apresentar falhas no ciclo menstrual antes mesmo dos 40 anos. Tal ocorrência contrasta com uma mudança no comportamento feminino, já que é grande o número de mulheres que estão adiando a maternidade e os planos de aumentar a família por causa da carreira.
Vem aumentando, desta feita, o número de mulheres que recorrem a um especialista em Medicina Reprodutiva porque estão enfrentando dificuldade para engravidar nessa fase madura, em que a fertilidade é naturalmente mais reduzida. Quando o assunto é menopausa prematura, entre 5% e 10% delas atingem seu objetivo.
Taxa de fertilidade
Vale ressaltar que mulheres com mais de 35 anos que desejam engravidar deveriam consultar um especialista para avaliar suas taxas de fertilidade o quanto antes, buscando tratamento quando necessário. Quando a pessoa tem 20 anos, as chances de não engravidar depois de um ano de tentativas contínuas é de 5%.
Essa taxa aumenta para 30% ou mais a partir dos 35 anos. Já em pacientes com insuficiência ovariana primária, a proporção de mulheres que não conseguem engravidar gira em torno de 80% ou 90%. Daí a importância de avaliar sem demora a reserva ovariana para verificar se há óvulos disponíveis que permitam dar início a um tratamento de fertilização assistida.
Além de checar os óvulos disponíveis, o exame de reserva ovariana também contribui para individualizar o tratamento e adotar um protocolo com mais chances de sucesso. Atualmente, a dosagem de hormônio antimulleriano (AMH) e a contagem de folículos antrais (CFA) realizam os melhores prognósticos da reserva ovariana.
A contagem já é realizada durante o ultrassom pélvico basal e é, sem dúvida, de grande utilidade, pela facilidade de realização e boa acurácia.
Idade reprodutiva
Com o aumento do nível educacional e a maior participação feminina no mercado de trabalho, já houve um aumento significante na incidência de infertilidade relacionada à idade reprodutiva da mulher. A drástica diminuição da fertilidade com o passar dos anos é fator relevante para homens e mulheres.
Outro fator é a incidência de problemas relacionados ao aparelho reprodutor feminino - como a menopausa precoce, por exemplo - que podem dificultar ainda mais uma gravidez.
No caso da insuficiência ovariana primária, a paciente precisa receber inclusive um acompanhamento médico para evitar outros desdobramentos, como osteoporose, doenças endócrinas e cardiovasculares devido ao baixo nível de estrogênio. Os casais, de modo geral, deveriam considerar esses fatores importantes antes de adiar os planos de ter filhos.
Assumpto Iaconelli Jr. é médico ginecologista, especialista em Reprodução Humana e diretor do Fertility - Centro de Fertilização Assistida, em São Paulo.