Uma briga entre Márcio Nakashima, irmão da vítima e primeira testemunha a depor, e os advogados de Mizael Bispo, réu no processo, fez que com que o juiz Leandro Bittencourt Cano determinasse que a transmissão do julgamento ao vivo fosse suspensa por cerca de cinco minutos nesta segunda-feira (11).
A discussão começou às 10h, após o assistente de acusação, Alexandre de Sá Domingues, fazer uma pergunta sobre um colchonete encontrado no carro de Mércia. Márcio disse que não deixaria que a honra de sua irmã fosse ferida e disse que Ivon Ribeiro, um dos defensores de Mizael, afirmou em entrevistas, que a vítima era garota de programa, e por isso, andava com o colchonete.
A fala fez com que Ribeiro puxasse para si o microfone da defesa. Ele negou qualquer declaração e disse que a vítima deveria mostrar provas. Em sequência, falou que Márcio então deveria processá-lo.
"Eu vou fazer isso. Só não processei o senhor ainda porque meu advogado disse que você tinha se retratado no processo. Mas pode ter certeza que eu vou te processar", declarou o irmão de Mércia.
Testemunha e defesa então começaram a discutir, interrompendo a fala um do outro. O juiz então pediu que a transmissão em tempo real do júri fosse interrompida.
Após o intervalo, o magistrado advertiu a defesa e Márcio para que parassem com a briga ou o depoimento da testemunha seria interrompido.
O julgamento foi retomado por volta das 13h05. Ribeiro deixou o plenário para conversar com Mizael.
Escolha jurados
Durante sorteio dos jurados, a defesa do réu vetou a participação de três mulheres. O Ministério Público não fez oposição a nenhum escolhido, sendo cinco mulheres e dois homens.
Mizael Bispo de Souza é acusado de ter matado sua ex-namorada, Mércia Nakashima, de 28 anos, em 2010. A sessão estava prevista para começar às 9h desta segunda-feira (11) no Fórum de Guarulhos (Grande São Paulo), mas começou por volta das 10h.
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O Ex-PM Mizael Bispo, acusado de matar sua ex-namorada |
O julgamento do ex-PM Mizael Bispo, contará com 11 testemunhas, sendo cinco de acusação, cinco de defesa e uma de juízo.
Entre as testemunhas de acusação está o irmão de Mércia, Márcio Nakashima, o engenheiro Eduardo Amato, que fez o rastreamento das ligações de Mizael e o delegado responsável por investigar o crime, Antônio Assunção de Olim. Também serão ouvidos o advogado Arles Gonçalves Júnior e o biólogo Carlos Eduardo de Mattos Bicudo. Esse último foi o responsável em dar o parecer que mostrava que a alga achada no sapato de Mizael era compatível com a da represa de Nazaré Paulista (64 km de SP), onde Mércia foi achada morta.
O embate decisivo se dará em torno da hora do crime. Uma testemunha disse ter visto o carro ser jogado na represa às 19h30. Neste horário, antenas telefônicas mostram que Mizael estava em Guarulhos.
Em novo depoimento, a testemunha mudou a versão e disse não saber a hora exata.
Caso
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Mércia Nakashima, de 28 anos, desapareceu em maio de 2010 |
Mércia desapareceu em 23 de maio de 2010, após almoçar com a família. Seu corpo foi achado 19 dias depois na represa de Nazaré Paulista (64 km de SP), junto com o seu veículo.
Justiça decreta a prisão temporária de Mizael Bispo de Souza, 40, ex-namorado da advogada Mércia Nakashima, suspeito de ter participado do crime.
O Ministério Público oferece denúncia (acusação formal) contra Mizael e o vigia Evandro Bezerra Silva por homicídio qualificado e ocultação de cadáver.
Mizael está preso desde 25 de fevereiro de 2012, quando se entregou à polícia após ficar mais de um ano foragido. Evandro é preso no povoado de Candú, zona rural de Carneiros, sertão de Alagoas.
No período em que ficou preso, o ex-PM escreveu um livro, intitulado "Na Cova dos Leões", e busca uma editora para publicá-lo. No livro, ele relata sua vida, diz que foi "pintado como um mostro" e conta detalhes de seu relacionamento com Mércia -dizendo, inclusive, que ela não aceitava a separação.

