A equipe responsável pela acusação no julgamento do ex-policial e advogado Mizael Bispo de Souza afirmou hoje ao término do primeiro dia de júri, que a defesa está tentando confundir testemunhas e jurados. O dia foi marcado por provocações e discussões entre as duas partes.
"Me parece que a defesa adotou a tática de confundir as testemunhas", afirmou o advogado Alexandre de Sá Domingues, contratado pela família da vítima, Mércia Nakashima, e assistente da acusação. Já o promotor Rodrigo Merli Antunes disse que a defesa também tenta "tirar a calma" da equipe de acusação.
"Eles só precisam das duvidas dos jurados. Estou achando que nos tirar do sério é uma estratégia deles", afirmou Antunes, que acrescentou, em tom humorado, que pretende tomar calmante hoje para se preparar para o segundo dia de julgamento.
Já próximo ao término do primeiro dia de julgamento, durante o depoimento do engenheiro Eduardo Amato Tolezani, a defesa e a acusação discutiram devido às insistentes perguntas da defesa que confundia os sinais de recepção de celular e os sinais das antenas da empresa de telefonia.
Alga no sapato
O biólogo Carlos Eduardo de Mattos Bicudo foi a segunda testemunhas a depor nesta segunda-feira (11), primeiro dia de julgamento do ex-policial e advogado Mizael Bispo de Souza. No depoimento, ele afirmou que o sapato do réu, analisado na época do crime, entrou na água da represa em que a vítima foi encontrada.
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Mércia Nakashima foi morta em 2010 |
"O sapato analisado foi submerso na água da represa. Não há outra hipótese para essa alga estar lá", afirmou a testemunha se referindo a alga encontrada no sapato de Mizael, acusado de matar sua ex-namorada, Mércia Nakashima. O corpo dela foi encontrado na represa de Nazaré Paulista (a 64 km de São Paulo) em 2010.
A testemunha destacou que a confirmação de que o material era proveniente da represa foi possível devido a várias amostras coletadas no Estado nos últimos 40 anos, apesar disso, ele afirmou que a alga existe sim em outros locais.
Bicudo também afirmou que ao fazer a análise constatou que os resíduos deixados no sapato do réu eram recentes. Segundo ele, a alga morre rapidamente fora d'água, mas ainda mantém as características necessárias para a análise por cerca de 10 e 15 dias. Com isso, o biólogo estima que Mizael tenha estado na represa cerca de dez dias antes da análise do material.
O depoimento do biólogo durou cerca de uma hora e meia, mas ele não foi dispensado pela defesa de Mizael. Ele deverá retornar para uma acareação com o físico Oswaldo Negrini Neto, que contestou o laudo e deverá ser ouvido nos próximos dias.
Depois do biólogo, foi chamado para depor o engenheiro Eduardo Amato Tolezano, responsável por rastrear ligações telefônicas de Mizael. O depoimento dele, porém, não será transmitido como ocorreu com as duas primeiras testemunhas.
Ameaças
Antes de Bicudo, Márcio Nakashima, irmão de Mércia, foi ouvido no plenário e disse que o réu fazia ameaças e perseguia a vítima. "Quando ele não conseguia falar com ela, ele saía atrás dela. Ele gostava de controlar o que ela fazia", afirmou.
Márcio ainda disse que, mesmo após o fim da parceria profissional - eles eram sócios em um escritório de advocacia - e do relacionamento, Mizael continuava passando em frente ao prédio da vítima. O acusado também ligava repetidamente para o celular de Mércia, o que fez com que ela trocasse o número do celular diversas vezes.
Durante o depoimento de Márcio, Mizael foi retirado do plenário a pedido do Ministério Público. De acordo com a acusação, a testemunha se sentia ameaçada pelo réu. A defesa contestou que, por ser advogado, Mizael faria sua autodefesa, porém o juiz Leandro Bittencourt Cano deu seu parecer favorável à Promotoria.
