A acusação do julgamento de Mizael Bispo de Souza usou o tempo de debate para sensibilizar os jurados e convencê-los de que o ex-policial mentiu no depoimento sobre a morte de sua ex-namorada Mércia Nakashima. Para isso, eles mostraram fotos do corpo da advogada e de seu enterro, além de e-mails que o ex-policial trocou com ela.
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A acusação do julgamento de Mizael Bispo de Souza usou o tempo de debate para sensibilizar os jurados |
No momento em que as imagens do corpo da vítima sendo retirado da represa foram passadas aos jurados, dois deles choraram. Familiares da Mércia que acompanhavam o júri também se emocionaram.
Ao ler trechos de e-mails no júri, o assistente da acusação, Alexandre de Sá Domingues, tentou apontar as contradições dos depoimentos de Mizael e a real situação do relacionamento dele com a advogada antes de seu assassinato.
"O senhor Mizael vai ganhar um prêmio no final desse julgamento: do mentiroso do ano", disse o advogado.
Domingues mostrou aos jurados que, ao contrário do que o ex-policial afirma, ele perseguia Mércia, que chegou a trocar os telefones para não ter que falar com o réu.
Além das cartas apresentadas, a acusação leu trecho de depoimento de uma amiga da vítima a quem a advogada confidenciou que o ex-policial tinha muito ciúmes e que não desgrudava dela em momento algum.
Em outro e-mail apresentado no plenário, Mizael elencava 11 situações em que Mércia o magoou. Para o advogado, os pontos mostram como o ex-policial distorcia a realidade e tentava fazer com que a advogada fosse do jeito que ele assim desejava.
Já o promotor Rodrigo Merli Antunes destacou em sua fala que há provas técnicas suficientes que comprovam a presença do réu no local do crime e nas ações que a precederam. "Será que o mundo conspirou contra Mizael no dia 23 de maio, entre 18h37 e 22h12?", questiona ironicamente o promotor.
Ele retomou a discussão sobre a preservação de uma das principais provas que indicam que o ex-policial esteve na represa em que a advogada foi encontrada morta: a alga.
"Se a alga foi preservada em menos de 25 dias, com 18 dias, o doutor Bicudo poderia fazer a análise em 2011 que ela estaria lá, intacta. Ninguém plantou porcaria nenhuma. Até porque, que interesse se tem em condenar um inocente?", disse.
Ele também voltou a citar o registro das ligações telefônicas que indica que Mizael não estava em frente ao hospital de Guarulhos quando afirmava estar. "Ele tem dez mil álibis e ninguém nunca vem aqui confirmar a versão dele", disse.
A primeira parte do debate terminou por volta das 11h30 e a sessão foi interrompida para o almoço. O promotor já adiantou que pedirá réplica após a fala da defesa, que deverá levar uma hora e meia.