Internacional

Cardeais receberam e-mail sobre laço de Bergoglio com ditadura, diz biógrafa

Folhapress
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Na véspera da votação que elegeu Jorge Mario Bergoglio sucessor do papa Bento 16, todos os cardeais participantes do conclave em Roma receberam um e-mail que denunciava cumplicidade do cardeal argentino com a última ditadura militar em seu país (1976-1983).

A afirmação é da biógrafa de Bergoglio, Francesca Ambrogetti, coautora (com Sergio Rubin) de "O Jesuíta - Conversações com o Cardeal" (editora Vergara, 271 paginas).

Em entrevista à TV argentina na manhã desta quinta-feira (14), Ambrogetti não revelou a autoria do e-mail, mas disse que os cardeais "não levaram em conta" a denúncia, porque sabem que ela e infundada.

"Esse e um tema antigo e complexo. Esta tudo explicado no livro. Foi o contrário. Ele ajudou em tudo o que pode", disse.

Na versão favorável a Bergoglio envolvendo o período da ditadura argentina, ele teria ajudado a dar abrigo e a viabilizar a saída do país de militantes perseguidos pelo regime militar.

As denúncias, porém, apontam que ele teria proximidade com o comando da repressão e teria agido para favorecer a prisão de opositores da ditadura, alem de ser conivente com a apropriação de bebes de militantes políticos.

Euforia

Embora não tenha ignorado o espinhoso tema da atuação de Bergoglio durante a ditadura, a imprensa argentina reagiu com incontida euforia a sua eleição como pontífice.

"Não há como não se emocionar", disse a apresentadora de TV Ernestina Pais, conhecida pela sagacidade de seus comentários no programa "CQC".

Elogios aos modos austeros de Bergoglio tem sido repetidos a exaustão nos jornais e na TV, como a citação ao habito do cardeal de "andar de metrô, com roupas gastas".

Os jornais impressos noticiaram a eleição em tom de celebração. Ate o esportivo "Olé" dedicou sua capa a Bergoglio, com o titulo "A Outra Mão de Deus" --referência à famosa frase de Maradona sobre o gol irregular que marcou contra a Inglaterra, na Copa de 1986, em que afirmou ter contado com "a mão de Deus".

O tom dissonante na empolgação com o papa argentino ficou com o diário "Página 12", que tem no jornalista Horacio Verbitsky seu principal nome. Verbitsky e autor de "O Silêncio", livro-denúncia da suposta cumplicidade de Bergoglio com a ditadura. A manchete do "Página 12" resumiu o espanto do diário na expressão "Meu Deus!".

 

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