Polícia

Bauru registra uma série de atentados

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 3 min

A violência que teve início com a descoberta da morte cruel de João Vitor Lima dos Santos, 16 anos, continuou em Bauru. Em um intervalo de 12 horas após o assassinato, foram registradas quatro tentativas de homicídio. A polícia aponta que o volume de ocorrências no período é atípico, contudo, afirma que não há qualquer relação entre os casos.

A primeira tentativa de homicídio ocorreu pouco antes das 2h30 da madrugada de ontem, no Parque Santa Cecília. A Polícia Militar (PM) foi acionada e, no cruzamento entre a José Marques Filho e a Paulo Paez Fernandes, encontrou Marcos Jonas Inácio, 35 anos, com uma faca cravada no peito.

Caído, o pedreiro foi socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhado ao Pronto-Socorro Central (PSC). No fim da tarde, ele estava internado em estado regular na HOPE, espécie de Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Hospital de Base (HB).

Cerca de três horas depois, na quadra 44 da Nações Unidas, ocupantes de um automóvel preto dispararam contra dois homens que estavam próximos a uma loja de conveniência de um posto de combustível.

Segundo a PM, Paulo Sérgio da Rocha, 30 anos, levou três tiros na coxa esquerda e Fábio Gumieira, 38, também foi alvejado por dois disparos na perna. Quando os policiais chegaram, as vítimas já haviam sido socorridas ao PSC.

Segundo testemunhas, o carro se tratava de um Gol preto, que, após os disparos, fugiu do local. Na tarde de ontem, Gumieira estava na HOPE em estado regular. Já Paulo da Rocha passava por cirurgia e teria dito aos policiais não saber o motivo dos disparos.

Pela manhã

E as tentativas de homicídio em Bauru não se restringiram à madrugada. Por volta das 11h, um cobrador de 32 anos foi abordado em plena região central da cidade e alvejado.

Márcio Antônio da Silva andava pela quadra 3 da rua Voluntários da Pátria, quando foi surpreendido por três disparos de arma de fogo. Segundo o boletim de ocorrência (BO), a vítima afirma que o autor seria um homem que estava em um veículo Corsa. Além dele, havia ainda uma motocicleta Honda CG com dois homens, que davam escolta para o suposto atirador.

Mesmo atingido na região lombar por um dos disparos, Márcio conseguiu fugir e correu até a quadra 12 da avenida Rodrigues Alves, onde pediu socorro em uma loja. O cobrador foi encaminhado para o PSC, onde permanecia até o fim da tarde de ontem.

A polícia esteve no local do atentado e apreendeu o projétil que atingiu uma parede. A vítima informou à reportagem que conhecia o autor dos disparos. Segundo Márcio, o motivo seria uma suposta venda de carros, o que será checado.

Até o fechamento desta edição, todos os casos eram investigados, porém, nenhum dos suspeitos havia sido apreendido.

 

Delegado afirma que casos não têm relação

A série de crimes cometida em um intervalo de apenas 12 horas movimentou os policiais. Apesar do volume e da gravidade dos casos, a polícia afirma que eles não possuem qualquer relação.

“Realmente foi uma noite atípica. Mas os casos não estão, de maneira alguma, relacionados. Cada um tem sua peculiaridade e motivação específica. Estamos investigando”, aponta o titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), Kleber Granja.

Em todas as tentativas de homicídio, conforme a polícia revela, as vítimas tinham envolvimento com a criminalidade.

A PM também confirma que o período foi atípico pelo número de crimes e afirma que ligou o sinal de alerta. “Fizemos operações direcionadas hoje (ontem) justamente por conta desse volume de casos. Essas ações foram feitas nos bairros onde os crimes ocorreram e também em localidades de prováveis suspeitos”, conclui o oficial de relações públicas do 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPM-I), capitão Alan Terra.

 

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