Governos europeus rejeitaram ontem uma proposta franco-britânica para suspender o embargo armamentista à Síria para poderem armar os rebeldes desse país.
A ampla maioria dos 27 países da União Europeia considerou que a suspensão do embargo poderia desencadear uma corrida armamentista que agravaria a instabilidade na região. A questão voltará a ser discutida na semana que vem.
O presidente da França, François Hollande, e o primeiro-ministro britânico, David Cameron, argumentaram sem sucesso que a Europa não poderia permitir que o povo sírio seja massacrado.
Até agora, os governos ocidentais evitam interferir diretamente em um conflito que começou há dois anos e já matou 70 mil pessoas, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU).
A chanceler (primeira-ministra) alemã, Angela Merkel, principal opositora da suspensão do embargo, disse que havia o risco de que Rússia e Irã, aliadas do governo sírio, intensificassem o fornecimento de armas caso a UE suspendesse suas restrições.
Ela chamou a atenção também para “a frágil situação no Líbano e o que significa armar o Hezbollah (grupo xiita aliado do presidente sírio, Bashar al-Assad)”.
O presidente do Conselho Europeu, Herman van Rompuy, disse que os líderes pediram aos seus ministros de Relações Exteriores que discutam a questão do embargo “como questão prioritária” na sua reunião de 22 e 23 de março em Dublin.
Um dos fatores que dificultam um auxílio militar ocidental aos rebeldes sírios é o caráter desorganizado da rebelião - inclusive com a presença de militantes islâmicos ligados à Al Qaeda -, mas Hollande disse ter garantias da oposição síria de que as armas eventualmente enviadas ficariam em boas mãos.