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Operação flagra trabalho análogo à escravidão na BA


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Um grupo de 17 pessoas do Rio de Janeiro que distribuía listas telefônicas de porta em porta, em Salvador, foi encontrado em condições análogas à da escravidão na noite de anteontem, segundo o Ministério Público do Trabalho na Bahia.

A operação, em conjunto com a Polícia Federal, prendeu em flagrante dois homens acusados de serem os aliciadores do grupo, que prestava serviço à empresa GAF Logística, sediada no Rio. O procurador do Trabalho Jairo Sento-Sé diz que o expediente chegava a 12 horas por dia e não havia pagamento de salário. “Eles ganhavam de R$ 2,00 a R$ 5,00 de esmola de quem recebia as listas”, diz.

Nas duas casas em que dividiam apenas com colchões e um único banheiro, os trabalhadores dormiam em cima das próprias listas telefônicas, “nas condições mais precárias possíveis”, conforme Sento-Sé. A Secretaria de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos do governo baiano encaminhou o grupo para um hotel, onde os trabalhadores deverão aguardar a assinatura das carteiras de trabalho e, em seguida, voltar para casa. As despesas serão cobradas da empresa.

A suspeita é de que o número de pessoas aliciadas possa chegar a mais de 50, com a existência do mesmo esquema em outros dois bairros da cidade. Darcilínia Gomes da Silva, 58 anos, uma das pessoas que chegaram no final de fevereiro a Salvador, disse aos auditores da operação que já faz esse tipo de atividade há cinco anos.

De acordo com o Ministério Público do Trabalho, o diretor da empresa, Gustavo Campilho, confirmou a contratação e se dispôs a ir a Salvador para iniciar o processo de indenização dos trabalhadores e esclarecer os fatos.

Campilho não foi localizado. O telefone existente no site da GAF não funciona e o e-mail enviado pela reportagem ainda não havia sido respondido até a publicação desta reportagem.

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