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Great City, utopia urbana?

Archimedes A. Raia Jr.
| Tempo de leitura: 3 min

No mundo inteiro, nos dias atuais, muito se fala e se faz em termos de sustentabilidade urbana. A China, porém, extrapolou as expectativas e implanta uma ideia que pode ser revolucionária. A China, segunda economia mundial, com um PIB -Produto Interno Bruto- de US$ 7,2 trilhões, apresenta um inédito, inovador e ambicioso projeto de cidade, a Great City ou a Grande Cidade.

O projeto Great City abarca a construção de uma nova cidade, ecológica e sustentável, que deverá servir de modelo para toda nação chinesa e o mundo. Está previsto que a cidade terá apenas 1,3 quilômetros quadrados, para receber uma população residente de 80 mil a 100 mil pessoas ou cerca de 30 mil famílias.

Para que se tenha uma ideia do tamanho diminuto do território citadino, ele terá uma área de apenas 3 vezes a área do Vaticano, que possui apenas 0,44 km2 de área. A cidade terá formato circular, com diversos edifícios verticais, muita área verde e permeada por diversas vias intersticiais que garantem acessibilidade a todas as regiões. O novo centro urbano em construção tem como objetivo provar que é possível combinar uma elevada densidade populacional com o respeito ao ambiente e sem carros. O término da construção está previsto para 2021.

Desenvolvido pelo escritório de arquitetura americano Adrian Smith & Gordon Gill Architecture, de Chicago, o projeto prevê uma cidade verticalizada, adensada, que reconhece e aceita a paisagem envolvente. Um dos autores do projeto, Gordon Gill, afirma que a Great City pretende comprovar que o processo de concentração populacional não necessariamente implica na alienação das pessoas em relação ao ambiente.

O desenho urbano desta cidade prevê, de maneira geral, que o tempo de viagem de um ponto da cidade a qualquer outro ponto não deverá durar mais que 15 minutos a pé. Uma viagem de qualquer ponto periférico da Great City até a sua área central não deverá demorar mais de 10 minutos. Este fato estratégico visa promover o incentivo ao uso do transporte a pé e de bicicleta em substituição ao modo motorizado.

A configuração desta nova cidade prevê que os automóveis deverão apenas ser adotados para as pessoas que tenham a intenção de realizar viagens mais longas, para fora da cidade. Ela está sendo construída nas proximidades de um polo regional de transportes coletivos, que liga Great City a Chengdu e regiões adjacentes, por meio de transporte de massa, embora seja esperado que a maioria das pessoas será capaz de trabalhar dentro da própria cidade.

Chengdu é uma cidade muito antiga, fundada no século V a.C., e está localizada no sudoeste da China. É a capital da província de Sichuan e tem cerca de 4,6 milhões habitantes e é um polo econômico e cultural.

Os resultados esperados com a implantação deste audacioso projeto, conforme as previsões de seus desenvolvedores, são: usar 48% menos energia e 58% menos água do que uma cidade convencional com o mesmo número de habitantes, produzir 89% menos resíduos e 60% menos e emissões de carbono.

Enfim, construir uma cidade do nada só seria possível neste momento para uma potência econômica como a China. No entanto, mais que a realização de uma utopia urbana, o que se pretende demonstrar é a preocupação que o mundo está tendo com a mudança de paradigmas na questão da cidade sustentável, com a redução significativa do uso de transporte motorizado individual, no uso de recursos energéticos e na produção de resíduos. Os países poderão demorar mais ou menos tempo em adotar medidas em favor de cidades sustentáveis. Porém, o que se acredita é que estas mudanças são inexoráveis. É esperar para ver.


O autor, Archimedes A. Raia Jr., é engenheiro, mestre e doutor em Engenharia de Transportes, professor da UFSCar e Diretor de Engenharia da Assenag. E-mail: raiajr@ufscar.br

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