A grife Acquastudio, segunda a desfilar ontem na São Paulo Fashion Week, apostou na ideia de “navy couture” em seu verão 2014. Em resumo, listras, grafismos e muito off-white e azul.
Repleta de vestidos cheios de fendas e aplicações, a coleção da estilista Esther Bauman também abusa da assimetria e plissados. A estreia da marca no evento - ela desfilava no Fashion Rio - talvez tivesse agradado mais se a barra dos looks não desfiassem tanto à medida que as modelos passavam pela passarela, que acabou encoberta de pequenos fiapos de tecido.
Já o estilista Ronaldo Fraga se antecipou à Copa do Mundo e trouxe o universo do futebol à moda, em uma passarela transformada em campo de futebol de terra. Mas nada que vem do criador mineiro é simples. Ele foi buscar as referências em um Brasil dos anos 30, 40 e 50, quando ainda ainda existia preconceito entre brancos e negros e quando esses últimos já tinham conseguido colocar sua ginga nas disputas.
Tá na cara
Um estande de maquiagem montado no prédio da Bienal atraiu alguns homens. Segundo Gabriela Martino, responsável pelo local, por lá passaram, no primeiro dia desta edição, 96 alunos no curso e outras 295 pessoas para serem maquiadas, das quais 20 eram homens.
“A minha preocupação maior são as olheiras. Uso corretivo umas duas vezes por semana”, diz Uran Rodrigues, fotógrafo, enquanto é maquiado por Gisele Souza em um stand de patrocinador da SPFW.
Sem tabus
Uran ainda é parte de uma minoria: a de homens que falam abertamente sobre o uso de maquiagem. “Na edição passada, atendi cinco”, diz Gisele, umas das maquiadoras. No estande montado no prédio da Bienal, qualquer frequentador pode ser maquiado por um dos 16 profissionais ou fazer um curso de automaquiagem.
O número ainda é pequeno, mas a maquiadora Gisele diz acreditar na mudança: “Ainda é pouco, mas vai melhorar”. O patrocinador do espaço não lança maquiagem específica para o público masculino.